sexta-feira, 23 de maio de 2014

O Facebook e os absurdos que vemos escritos por aí

Bem, consegui voltar. O tempo não anda muito a meu favor, mas não posso deixar de fazer coisas que me façam bem à alma. E escrever é uma delas. Isso é um conselho do doutor, senão eu pifo de vez. Com tanto trabalho de revisão e redação, e agora a "aventura" de criar palavras cruzadas (minha mais nova paixão profissional), 24 horas por dia já não são suficientes.

Hoje a postagem não será explicativa. E sim um "ensaio" ao meu retorno, pra manter também o blog respirando. Um amigo me disse: "Tati, por que você não cria uma página no Face com seus 'achados gramaticais'?". Não sei, não sei. Eu tenho um certo medo do Facebook no que diz respeito a isso. O que eu vejo escrito nessa rede social é de matar quem já morreu. E também não sei qual o interesse das pessoas em relação a uma página educativa (existe mais gente interessada em ofender, violentar verbalmente, polemizar de forma gratuita). Fico com medo do que posso ler na minha própria página... hehehehe (cara de assustada, fingindo estar "de boa").

E o que me deixa um pouco triste com isso é que a maioria das pessoas que escreve é estudante, ou estudou, passou pelas aulas de Gramática. E o pior: tem gente na faculdade escrevendo assim. E por que é triste? Porque a gente vê que o ensino está muito defasado, não só pelo conteúdo carente e mal aplicado, como, e principalmente, pela falta de efeito: os alunos saem das escolas e não sabem ler ou escrever, ou ao menos entender um enunciado. E essas pessoas TIVERAM aula de português, redação, literatura.

Se vocês pegarem uma publicação no Facebook e abrirem os comentários, ficarão assustados com a quantidade de "vo fase", "conciente", "inguinorante", "propio", "conserteza" etc. etc. etc.

Nem estou falando sobre a praticidade de se escrever nas redes sociais, em bate-papos (como, por exemplo, "vc", "pq...). Até aí, é mais que normal. E eu, no bate-papo com meus amigos, não fico me atendo a escrever de acordo coma norma culta nem tenho interesse em corrigir ninguém. E o mais engraçado é que eles ficam com medo de conversar comigo, e acabam se corrigindo o tempo todo. Só digo: "Relaxa, é nóis"... rsrsrs. Mas no dia a dia, numa carta de pedido de emprego, redação de Enem, ou uma simples publicação no Face ou Twitter, vamos ter mais atenção, meu povo! Mais cuidado e carinho com a nossa querida língua, plis!

Bem, gente, sei que não há explicações neste post, mas estou bolando umas coisas novas pra postar e manter meu blog fora dessa sobrevida. Aos poucos, e fiéis, que me leem, peço sugestões. Serão muito bem-vindas. Por exemplo, o bendito hífen (e o polêmico hífen duplo, que em muitos blogs está sendo tido como obrigatório), a reforma ortográfica (tá meio tarde pra isso, mas ainda existem dúvidas tenebrosas que assombram o sono de revisores, redatores, jornalistas e curiosos). Que tal?

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Os porquês - Parte 2

Agora vem a porrada. Podia ser mais simples, né? Mas, como não é, a gente tenta fazer o melhor. Mas uma dica boa: procurem um bom livro de Gramática, evitem procurar na internet. Às vezes, "dá ruim".
Vou partir logo pras definições, porque senão serão TRÊS posts. Ficou grande "pacaramba".

PORQUE 
Na forma escrita acima, é uma conjunção – explicativa ou causal. Independente se a frase é  interrogativa ou afirmativa, o sentido sempre vai ser CAUSA/EXPLICAÇÃO. 
Exemplo: 
Causa: Não fui ao churrasco porque estava chovendo. / Explicação: Não faça isso, porque é perigoso
Vamos lá. Não é tão simples, pois envolve as temidas orações coordenadas e subordinadas. Infelizmente, é bom dar uma olhada "por alto" em Coordenação e Subordinação (é o único caminho pra gente entender de uma vez por todas), pois vai ajudar MUITO na hora de identificar os "porquês". 
Pra resumir (se é que dá), temos duas relações – uma de causa e outra de explicação. 
Na primeira ocorrência, "estar chovendo" é a razão pela qual não fui ao churrasco (temos uma oração principal e uma subordinada [adverbial causal]). 
Na segunda, "ser perigoso" não necessariamente é causa direta para não se fazer isso (uma oração coordenada sindética explicativa). Mas é uma explicação: "Se você fizer isso, vai sofrer consequências". Estou tentando explicar à pessoa, para que ela não faça isso. 
O problema é que elas são muito parecidas. Uma diferença que vi em muitos livros de Gramática é que na explicativa, há o uso da vírgula entre a oração explicativa e a precedente. Mas a questão aqui não é descobrir a diferença entre essas orações, e sim saber que "porque" (ok, junto, sem acento) ocorre NESSAS orações. Isso a gente pode descobrir num outro post. 
E quando temos "porque" (junto) dentro de uma pergunta? SIMPLES. Só pensar no que escrevi acima. Esqueça o ponto de interrogação, "porque junto/separado". Não é um caminho bom, não. Só atrapalha. Vamos a um exemplo? 
Você não veio porque estava ocupado? 
Aqui temos a mesma relação anterior. A CAUSA de "você não ter vindo" = você estava ocupado. E PONTO! Se formos dividir as orações, CONTINUA A MESMA COISA: uma oração principal (Você não veio) e uma subordinada adverbial causal (porque estava ocupado). É por isso que esse negócio de "pergunta", "retórica" ou "subentendido" não ajuda. Esqueçam o ponto de interrogação, e pensem na relação entre as orações. 

POR QUE
Acho que este é o mais chato. Porque temos variação. 
No primeiro caso, vamos ter que pensar um pouquinho na questão interrogativa, porque andei pesquisando, e o que encontrei foi "advérbio interrogativo". SIM. Não que não tenha havido divergências ao longo de minha pesquisa. Eu mesma fiquei meio "pau" com essa coisa. Mas de fato, não estamos querendo uma CAUSA, um motivo? É o mesmo caso (em termos de contexto) da conjunção subordinativa "porque". "Separado" para diferenciar. Sintam a diferença: "Por que você não veio?" versus "Foi porque você não veio?". 
Notem: "Explique por que você não veio" versus "Explique, porque você não veio". É aqui que vai entrar a segunda parte de POR QUE. 
Vamos pegar os dois exemplos acima (começando por "porque" – junto). "Explique, porque você não veio". Aqui, temos uma "explicação", que me "solicita" a pedir uma satisfação à pessoa que não veio. Assim = Explique, já que você não veio (você não veio, e eu quero uma explicação para isso). Tchan! 
Agora, temos "Explique por que você não veio". Muita gente vai querer usar o recurso "por que motivo, causa" etc. Mas vamos um pouco além disso, já que quase TUDO em "porque" significa motivo (seja explicativo, causal, interrogativo). Se formos "substituir", virá "MOTIVO". Então, "bora" esquecer essa parada. 
Vamos pensar no que vem ANTES de "por que". Aí entramos nos verbos transitivos (eu sei que dói, mas é um mal necessário). Já repararam que, quando temos esse "por que" numa afirmativa (que dá a ideia de uma "pergunta"), temos um verbo transitivo direto (Rá!)? Vários exemplos: 
Queria saber por que você não veio. Diga por que está chorando. Não me pergunte por que ele está aqui. São todos verbos transitivos diretos. E, dessa forma, temos orações substantivas objetivas diretas. Ou seja: orações que funcionam como um objeto direto (que é o complemento de quem??? Do verbo transitivo direto). Quero saber ALGO. Diga ALGO. E por aí vai. 
Temos ainda um outro caso. No exemplo: Este é o ideal por que eu luto. Aqui temos o pronome relativo "que" e a preposição "por". Neste caso, não temos uma explicação, ou uma indagação. Apenas uma relação de referência a um termo já dito, somada à regência verbal. Uma das regências do verbo "lutar", dependendo do sentido, é "lutar por". Fechou? E "que" está retomando a palavra "ideal" (Este é o ideal. Eu luto por este ideal). 
Muitas pessoas substituem por "pelo qual", pois fica mais fácil: que = o qual/a qual. Se juntarmos "o qual/a qual" com "por", obrigatoriamente temos que fazer a contração, e transformar em pelo/pela. Para um imediatismo, até ajuda. E eu também prefiro usar "pelo qual" nas minhas redações. Fica menos "grrrrrr". 
Ficou claro aqui que POR QUE merece um post só pra ele. Vou tentar desenvolver melhor esta ideia e fazer um especial, porque tem história pra contar. Assim com queria fazer um sobre Coordenação e Subordinação. 

POR QUÊ
Aqui é menos complicado. O "que" com acento é puramente fonético. A gente aprendeu lá atrás que as monossílabas tônicas terminadas em "a", "e" e "o" são acentuadas, né? Pá, pé, vê, só... 
Acontece que o "que" tem essa possibilidade de ora ser átono (entre as palavras, em que a gente quase não percebe o seu som, por uma questão de entonação), ora ser tônico (no final de uma sequência, na qual a gente percebe nitidamente a sua "existência"). Experimentem, lendo em voz alta: "Essa foi a solução que eu encontrei" e "E aí, vai fazer o quê?".
Então, exemplificando o nosso queriiiido aí de cima: Ela saiu daqui por quê? / Ele age assim, mas eu não sei por quê. (Nestes dois exemplos, temos o tal do advérbio interrogativo e a oração substantiva objetiva direta, complementando o verbo "sei", que nessa construção é... transitivo direto. OI OI OI). 

PORQUÊ
Neste caso, o mais simples de todos. Temos um SUBSTANTIVO. Yes! Substantivo. Essa todo mundo sabia... hehehe. Mas por que substantivo? Existe uma parte da Morfologia chamada Formação de Palavras, que é o processo pelo qual vão surgindo... as palavras ("craro, Cróvis"). Existem vários métodos. E como a língua é uma coisa louca e linda, nada é estático na sua evolução. Só a Gramática é que fica meio perdida tentando dar nomes aos bois, e é por isso que "birimbola". 
Neste caso, o método foi por DERIVAÇÃO. A derivação consiste em criar uma palavra (derivada) a partir de outra já existente (primitiva). Há vários tipos de derivação. Mas aqui temos uma coisa chamada DERIVAÇÃO IMPRÓPRIA (a Morfologia diminui um pouco a sua importância e passa a bola pra Semântica, que eu gosto de chamar de SeMÃEtica). 
No caso de "porquê", não surgiu uma palavra "diferente". Apenas foi mudada a classe dessa palavra. Exemplos práticos: "os bons, os maus" (adjetivo passa a substantivo); "o caminhar" (infinitivo passa a substantivo); "Você é um querido" (particípio passa a adjetivo); "Vamos pesar os prós e os contras", "Receber um 'não' é frustrante" (palavras invariáveis passam a substantivos. Opa! É aqui que entra "porquê"). "Porque" é conjunção (invariável) que passa a ser um substantivo. E o sinônimo é... MOTIVO, RAZÃO (voltamos ao começo). 
Exemplos: Essa atitude não tem um porquê. / Vamos ao porquê da história

Por que isso acontece??? Eu vejo como uma necessidade de "ilustrar" melhor uma frase. Pensem e vejam se não fica mais "direto" do que "Essa atitude não tem um motivo". Além do mais, é coisa da língua mesmo, uma necessidade de enriquecer cada vez mais. Não dá pra quantificar esses fenômenos, eles acontecem, vivem acontecendo. Faz parte da evolução linguística. Só fica ruim pra tentar registrar tudo isso de uma só vez, e de uma forma hermética. É por isso que muitas vezes encontramos muita divergência. Não é burrice ou vaidade por parte de quem explica. Mas é porque é difícil mesmo registrar algo intangível. 

Eu acho que tudo isso merece melhor investigação (principalmente o POR QUE, que dá pano pra manga), pra gente botar a nossa cabeça pra funcionar, e deletar de vez aquela explicação "cretina" de "motivo/razão pela qual", "início de pergunta" etc. Até porque, por exemplo, falando, a gente não tem uma ordem certinha, pra ficar declarando que é "começo de pergunta" que define se vai ser "por que", "porque", "por quê" ou "porquê".
Não é fácil. Talvez esta minha explicação não ajude muita gente, mas foi a minha forma de raciocinar. Pode ser que não siga um caminho muito ortodoxo, mas dessa forma me faz um mal menor. E acredito que, se alguém tiver uma forma mais leve e dinâmica que a minha, vai me dar um help.
É isso, povo e pova. Então, deixo vocês com a peça publicitária aí de cima. Eu tinha colocado esse anúncio no meu ANTIGO post sobre os "porquês" (aquele que eu retirei). Nessa peça, temos o seguinte texto: "Sacolas /Porque optar pelas duráveis, como faziam nossos avós". Qual vocês acham que deveria ser o correto: por que, por quê, porque ou porquê


Os porquês

Este blog é focado em peças publicitárias. Mas hoje, em especial, eu gostaria de não postar nenhuma peça com erro (ufa!) e falar sobre os queriiiiiidos porquês.
Em primeiro lugar, eu queria dizer que é muito difícil a forma como aprendemos na escola, em qualquer nível. A gente não aprende – em parte – errado. A forma como a gente "recebe" a informação é que acaba com a nossa dignidade.
Gente, eu pesquisei blog, sites especializados, sites de concursos. Eu não sei se procurei direito, mas não encontrei nenhum blog ou site que explicasse esses udos de uma forma mais desenvolvida. Pra não dizer que não achei, só encontrei um (sim, UM), que serviu de pontapé para esta minha vontade de entender tanto os porquês e encontrar uma forma "camarada" pra gente não esquecer mais.
Aí fiquei matutando... durante o dia, meu trabalho não me deixa nem piscar os dois olhos de uma só vez. Então, as ideias resolvem aparecer na hora em que vou dormir. E com isso eu sou "muito mais" feliz...
Cheguei à conclusão de que a melhor forma de associar o uso dos porquês é partir logo pra ignorância... hehe. Ou seja, vamos direto à fonte, que é a classe de palavras.
Eu mesma já fiz um post aqui sobre os porquês, mas retirei, pra não ficar repetitivo. E porque acho que este aqui vai ser mais completo. O tempo passa, o tempo voa... e a gente vai aprendendo mais. Acho que o post anterior está um pouco com esses vícios que eu tanto critiquei.  
É tanta coisa que eu terei que dividir este assunto em dois posts.
Se vocês hoje forem procurar "explicações" sobre os porquês, vão achar basicamente isto (em grande parte de sites direcionados, pois alguns, mesmo que com esse mesmo perfil de explicação, ainda tentam ser mais abrangentes):
"Por que ('separado', sem acento): início de pergunta ou pergunta subentendida = por que (motivo). Porque (junto, sem acento): resposta. Por quê ('separado' e com acento): final de pergunta. Porquê (junto, com acento): substantivo = causa. O mais fácil de identificar, pois sempre vem depois de 'o' ou 'um'".
Não é assim (ou mais ou menos assim. Sei que tem mais algumas coisinhas, mas eu resumi bem)?

Na minha opinião (e isso não significa que eu seja dona da verdade), o primeiro erro é colocar os quatro numa mesma explicação – tipo um "aulão" sobre os porquês. Atrapalha mais do que ajuda.
O segundo erro (vamos chamar de "pegadinha") é que, se formos avaliar direito, não existe SEPARADO. "Porque" só vai ser "porque" se for junto. Se estiver separado, são duas palavras – por e que/quê.

Bom, como não tem jeito, vou ter que falar dos quatro de uma só vez. Mas espero, do fundo do meu coração, que esta explicação seja útil, pois eu ouço muita gente me perguntando as diferenças. E se os "aulões" com essas pegadinhas funcionassem, não iria mais haver tanta gente com dúvida.
Eu faço assim: em vez de pensar: "Eu uso 'porque' (junto, sem acento) em resposta/afirmação (etc.)", eu penso primeiro na classe de palavra. Depois vou dando os exemplos. Aí, parece que é pensar meio que ao contrário, mas faz mais sentido.
Vamos lá, no próximo post, vamos esmiuçar esses lindos.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Melanina ou melamina?

Bem, continuo folheando as minhas queridas revistas à procura de erros em anúncios ou até mesmo em matérias (e também em busca de entretenimento, porque eu sou dodói, mas sou normal... hehehe). Satisfazendo os meus desejos, sempre sai erro em algum anúncio. De agência pequena ou grande. Confesso que gosto mais de encontrar erros nas grandes...

A Euro RSCG é uma que anuncia muito nessas revistas. E é uma grande... (confere!!!). Dessa agência, achei erro em DOIS anúncios, seguidamente (ô, bênção!). Numa das peças (o novo Veet Suprem'Essence), era problema no layout, então não convém mostrar no nosso blog. Mas, mesmo assim, a dodói aqui mandou o erro pra eles. Acho que eles "abraçaram" meu e-mail, porque, nos anúncios seguintes, o desenho foi corrigido. Nem sei se foi por minha causa. Mas bem que podia ser, hein... hein?

Bom, vamos à nossa dúvida do dia, que dá título a este post. Tenho certeza de que a maioria das pessoas sabe a diferença entre "melanina" e "melamina". Melanina, como sabemos, é o pigmento que dá cor à nossa pele. Não há muito o que dizer, não é? E "melamina" (com "m") é uma substância usada na fabricação de plásticos e produtos antichama. Aqueles potinhos, copinhos, pratinhos etc. etc. etc. da moda. Aqueles que a gente encontra em lojas de R$ 1,99.


Pois bem. A Revista Caras, em parceria com o designer e estilista Kenzo, lançou uma promoção chamada Sonho Oriental. A Euro foi a agência que fez a campanha - veiculando em sites, fazendo comerciais de TV, entre outras ações. Nas peças veiculadas pela agência na Revista Claudia Comida & Bebida, de fevereiro do ano passado (é velha, mas tá valendo), lá no rodapé, onde há as especificações e informações sobre a promoção, temos o seguinte treho: "Peças produzidas em melanina".

Tenho certeza de que pouquíssima gente faz confusão entre essas duas palavras, mas acontece. O que é imperdoável é uma agência do porte da Euro deixar passar uma dessas. Eu tenho uma mania, que considero fundamental pra quem trabalha com revisão, que é PESQUISAR. Tudo aquilo que não conheço, que possa suscitar dúvida, eu pesquiso, via internet, biblioteca, dicionário ou outro meio confiável. Então, se pinta uma dúvida (porque a gente não sabe tudo, e mesmo quando "acha"que sabe, pode dar aquele "branco"), eu corro pra conferir.

É claro que eu enviei e-mail falando sobre esse erro. E com aquele famoso assunto: "Mais um erro nos anúncios de vocês...". A Euro rapidinho mudou todas as suas peças gráficas (fui checar no site da agência, e já estava corrigido para "melamina"). Hoje, no consultório médico (onde a gente mais encontra Caras por centímetro quadrado), dei uma olhada nas revistas, e encontrei um anúncio dessa Coleção, também já corrigido. Será que foi por causa do e-mail? Coincidência ou não, eu estou de olho. Checo os erros, mando pra agência e posto aqui no blog. Minha doença fechando um ciclo...

A foto que eu estou usando neste post é só pra ilustrar e lembrar a todos qual foi a campanha. Eu peguei do próprio site da Euro, e já está com a palavra correta. Nem tenho mais tanta certeza se conseguirei encontrar um anúncio com o erro. Prometo pesquisar MUUUUUITO, pra não parecer conversa de pescador (rs).

Tô na área, e já juntei material pra postar aqui. Vou aproveitar essa chuvinha para começar a procurar erros por aí.

Até lá.

De volta

Eu voltei...
Depois de um longo e tenebroso inverno (e verão, e primavera, e outono... rsrsrsrs), cá estou. Voltei ao meu querido blog. Espero que neste ano ele ganhe um gás.
Foi por pura falta de tempo, mesmo. Há dias em que eu simplesmente vou dormir quando o sol está pensando em mostrar a cara. Tem sido assim constantemente. Bom, porque está entrando um dinheirinho. Ruim, porque não tenho tempo pra usufruir minha vida.
Sorte que eu já tinha uma postagem aqui, guardada na manga. Mas em breve vou colocar mais conteúdo aqui. Espero, sinceramente, que este blog seja útil para quem lê. Mesmo não tendo tempo suficiente para escrever, este é o meu maior prazer.
Obrigada!

terça-feira, 12 de abril de 2011

A volta...

Depois de muito tempo, estou de volta.
Andei meio ocupada, um pouco "desgostosa" com o mundo da publicidade - no qual acidentalmente vim trabalhar, prestando meus serviços de revisão. Nesse mundo (o da propaganda), nem sempre a condição de revisor é reconhecida. E é um trabalho essencial, que requer extremo cuidado, aptidão, muito conhecimento e concentração. Eu gosto de revisar, eu preciso revisar... rs. Todo revisor tem esse lado dodói... não é à toa que nosso blog se chama TOC.
Mas, opiniões à parte, estou de volta, pra continuar o trabalho, representando essa massa de gente que adora revisar bula, prospecto, folheto, embalagem... e também pra dar um help a quem gosta de escrever e trabalha nessa área, seja em publicidade ou jornalismo. Muito embora a minha preferência seja por achar erros em material publicitário... por que será? Hehehehehehehe.
Abraço!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Acento diferencial

Olá, aqui estou eu de novo, e num curto espaço de tempo.

Acabo de receber mais uma contribuição para o blog. Meu caro amigo Renan, que meu deu a ideia deste blog, foi quem viu o anúncio e achou o erro. Daí, eu aproveitei, é claro, pra ver se havia mais erros. E, claro, movida pela esperança de alimentar meu TOC, fiz uma leitura pente-fino no anúncio. E não é que havia mais coisa?

Já está todo mundo "em dia" com o novo acordo ortográfico. Embora saibamos que ainda há a possibilidade de se escrever sob a antiga regra, todos os meios de comunicação, desde o ano passado, já se norteiam pelas novas normas.

O erro deste anúncio, que é da F/Nazca, se refere ao acento diferencial. Basicamente, o acento diferencial serve para distinguir palavras que se escrevem da mesma forma, mas que têm significados diferentes. A intenção é evitar confusões de entendimento. Por exemplo, o verbo "poder", na 3ª pessoa do singular, tanto no presente como no pretérito perfeito (passado) do indicativo, se escreve PODE. O acento diferencial vai ajudar a evitar confusões com relação ao tempo. Vejamos: : "Ela pode fazer isso" / "Ela pôde fazer isso". Se não houvesse o acento circunflexo, jamais poderíamos saber se se trata de passado ou presente. Imaginem a falta desse acento, por exemplo, num contrato com o seu banco. 

Com o novo acordo, alguns acentos diferenciais foram dispensados, por se entender que não haveria confusão de entendimento em situações contextuais. "Para" é um exemplo. Aboliu-se o acento que distingue o verbo "parar" (na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo) e a preposição essencial "para". Antes, tínhamos o acento agudo para diferenciar uma e outra. Por exemplo: "Ela não pára de revisar" / "Isso é para revisar".

Bem, no nosso anúncio de hoje, o erro é cometido duas vezes. Na frase "Mundial 2010. O Brasil pára. O Globo não pára". O certo, com base no novo acordo, é "O Brasil para. O Globo não para".

Eu confesso que ainda me sinto um pouco burra, ao imaginar que posso vir a confundir essas duas palavras num título de jornal, que é sempre quase telegráfico, como "Festa para a cidade". Será que foi feita uma festa pra alguma cidade, ou a festa "bombou" tanto que parou a cidade? Não sei, não. Tenho medo de ser a única a pensar isso.

Só para completar: outros acentos que "caíram" com o novo acordo: pelo (pêlo = filamento que cobre a pele do homem e de outros animais), pela (péla = bola de borracha), polo (pólo = 1. extremidade; 2. esporte) e pera (pêra = fruto da pereira). Entretanto, o acento diferencial de "pôde", explicado lá em cima, CONTINUA.

Dando prosseguimento ao nosso material em questão. Prometi achar mais erros, e aqui estão eles. Ao final da peça, temos a descrição dos prêmios.

Um deles é o iPod. Como se trata de um anúncio, temos que escrever exatamente como a marca o registrou. O correto é "i" minúsculo, colado à palavra "Pod". Só que no anúncio, temos "Ipod". Já na capacidade de armazenamento desses equipamentos, temos "G" para abreviatura de Gigabyte. Na verdade, eu pesquisei e achei "GB" e "G" para o símbolo, mas não em sites oficiais. Oficialmente, de acordo com o SI (Sistema Internacional de Medidas), o correto seria "GB". Isso ainda é reforçado pela IEC (International Eletrotechnical Commission – Comissão Eletrotécnica Internacional), que para evitar ambiguidade nos valores de MB, GB e família (tendo em vista a confusão com os reais valores dessa "tchurma"), ainda criou o termo menos simpático Mebibyte (MiB). Mas isso é um assunto de informática, coisa que eu só entenderia se nascesse de novo ou se ganhasse mais um cérebro. Como isso é meio impossível, prefiro continuar revisando... hehe.

Bem, é só. Mais uma vez, agradeço ao Renan pelo anúncio. Olha a minha doencinha pegando aí, minha gente!!!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Encartes de supermercado

Meu povo e minha pova, quem me conhece sabe que eu tenho verdadeira adoração por encartes de supermercados. Até acho que já falei sobre isso.

Estava atrás de um encarte pra revisar e colocar no meu post. Mas pra ser sincera, nunca imaginei que fosse encontar erros num encarte do Zona Sul, atendido por ninguém menos que a W, uma agência "mega" (que atualmente assina esses encartes junto com a McCann, outra gigante da publicidade). Tudo bem, erros são comuns (imperdoáveis após o material ter ido para a gráfica, mas acontecem). Só que esses chegam a ser coisa de criança, e a W não poderia tê-los cometido.

Vamos lá. Esse anúncio saiu na Revista O Globo, de 02.05.2010. Nesse dia, achei também erro em anúncios de duas agências onde trabalhei (não poderia estar mais feliz... hehehe. Não trabalho mais nessas agências e acabo encontrando erros... recalcada, me senti realizada). Mas em se tratando de W, minha preferência é óbvia.

Trata-se de um encarte de queijos e vinhos, tendo o dia das mães como tema. Alguns erros são de estilo e informação. Mas... erro é erro. Resumindo, o material consiste em  algumas fotos de queijos e vinhos, e no topo as descrições (legendas).

Na segunda legenda, temos "Presunto Crú". Isso mesmo... com acento. Todos sabemos que oxítonas terminadas em "i" e "u" só são acentuadas se essas letras forem precedidas de vogais (ou seja, em casos de hiatos, senão em vez de hiato, teríamos um ditongo). Vejamos: Itaú, baú, açaí, Piraí etc. Aí sim temos o acento. Se "i" e "u" forem precedidos de consoantes, torna-se dispensável o acento. Dessa forma teremos: Iguaçu, Parati, caqui, urubu. Assim, "cru" não tem acento, é óbvio. E isso é simples, nem precisa muito de explicação, todo mundo sabe da regra. Toda agência tem um revisor, ainda que freelancer (aquele que não trabalha com vínculo empregatício e presta serviços eventuais). E essas correções são obrigação dele.

Vamos ao outro erro. O Zona Sul vende muitos produtos importados; dessa forma, tem que conhecer espécies de produtos e marcas estrangeiras. No encarte, temos um queijo francês chamado "boursin". Mas, provavelmente, por um erro de digitação, aliado à falta de atenção ou de pesquisa por parte de quem revisa, saiu "buorsin". Com o "u" na frente do "o".

Outro erro, ainda com relação a este queijo, é o nome do distribuidor: "Paraiso das Cabrinhas". Está sem acento no "i". O correto, segundo a norma, é com acento (Parso). Mas aí pode ser que a marca tenha sido registrada sem acento (como é um encarte, temos que seguir fielmente a embalagem). Só que mesmo assim vale ressaltar, pois no encarte não há a foto do produto, e eu não encontrei na internet a imagem, para confrontar. Por isso, a princípio, vou tratar como erro.

As outras observações se relacionam com padrão. Quando trabalhamos em agência – especialmente em varejo, revisando encartes –, vamos adotando parâmetros de revisão que são essenciais para a excelência do trabalho. Dessa forma, vou passar rápido por esses erros, só pra registrar.

Temos um nome de marca escrito junto, quando o correto é separado (na foto temos Queijo Gran Formaggio; na legenda está Granformaggio). Outro problema: em umas legendas, usam travessão, em outras usam hífen. A saber: travessão é sinal de pontuação. Hífen NÃO é. E por último, um erro de informação. Na legenda, temos descrições de embalagem com uma gramatura (a capacidade ou peso de uma embalagem), e na foto, aparecem outras medidas. Por exemplo, na última legenda, eles descrevem o produto "Queijo mozzarelline Vitalatte" com as gramaturas 250g e 280g. Já nas fotos, temos 550g e 475g.  Em se tratando de encarte, o cuidado com essas informações tem que ser dobrado. Embora tenham colocado "pequeno, médio e grande", não informaram as gramaturas com exatidão. Tem que colocar TUDO, pra não confundir o cliente.

Bem, este foi o post de hoje. Pra mim foi um prazer mostrar um pouco sobre revisão de encarte, embora eu não pudesse ter sido mais detalhista, senão esse post iria ficar gigante. Mesmo assim, espero que tenham curtido.

É isso. Té mais.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Mais uma da série Embalagens

A vítima de hoje é a embalagem do gel antifadiga da Natura.

Não estou contestando a qualidade os produtos da Natura – até porque este não é um site sobre a funcionalidade de um produto cosmético. Mas toda vez que acho erro em alguma embalagem, acabo não querendo comprar o produto. Isso é mania minha. Não é à toa que o blog se chama TOC. A pessoa que vos fala não se "intitula" um ser normal... hehehe.

O que me espantou, até mesmo mais do que o próprio erro, foi a qualidade da impressão. O interior da embalagem – onde estão as instruções mais detalhadas sobre o uso – tem um fundo azul escuro, sendo que a cor do texto é um "quase preto". Ou seja, não dá pra ler direito. À noite, então... esqueça! A imagem ao lado mostra exatamente como a peça é "ao vivo". Não se trata de problemas na digitalização, não. É assim mesmo... só consegue ler quem tem olhos de lince.

Mas ainda assim, com esse problema na impressão, dei um jeito de ler. Na imagem ao lado, será humanamente impossível conseguir ler. Mas eu vou transcrever o trecho com o erro em destaque.

Está assim: "2. A partir do início das sobrancelhas, pinçe a região dos olhos, rodeando toda a sua superfície (3x)". Sim, gente. Foi isso mesmo. Pensando ser algum problema na impressão, ou uma "sujeirinha" embaixo da letra, ainda dei aquela olhada com lupa, tentei aumentar o zoom da imagem, clareei no computador. E "pince" estava escrito, sim, com "ç".

Acho que essa regra nem precisa ser explicada. Todos sabemos que somente antes de "a", "o" e "u" é que o cedilha se faz necessário, para que o som seja [s]. Antes de "e" e "i" não precisa. Aí me perguntam: então por que não colocaram "ss" logo de uma vez? Culpa das regras de transição do latim para o português. Em uma outra oportunidade, postarei mais detalhes sobre essa questão. Não é nada muito carnavalesco, mas é sempre importante a gente saber a origem dessas regras. Isso vai facilitar muito a nossa vida na hora de escrever. Porque nos livros de gramática, em geral, só há listagens do tipo "Escrevem-se com g ou j", "Escrevem-se com ç", etc. Essas listas são bastante úteis, mas só servem para consulta, já que na maioria desses livros não há explicações consistentes. O que está lá, a gente acaba decorando. Mas, consultar por consultar, prefira um dicionário – você encontrará muito mais ocorrências. No entanto, não há dicionário no mundo que tenha conseguido relacionar TODAS as palavras (ou será que tem??? "Avisaê", porque eu quero um). Então, nossa dúvida vai continuar, sempre que surigir uma palavra que não estiver na famosa listinha, ou quando surgir um termo novo. Por isso uma explicação diacrônica nos dá mais chances de acertar quando houver uma nova ocorrência.

Fica aqui minha observação quanto a essa embalagem, provavelmente feita pela Taterka ou pela Trip, que são as agências que produzem alternadamente as revistas da Natura (se não for uma das duas, depois eu faço uma errata, assim que descobrir quem fez). Cumpre ressaltar que as revistas da Natura são todas sempre muito bem diagramadas e até o momento sem algum erro aparente. Mas eu estou de olho. Se eu achar, vem pro blog!

Gente, é isso. Até a próxima postagem.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Viagem versus Viajem

Esta é mais uma postagem de resposta a um comentário. Desta vez, foi o Tuninho Silva. Em primeiro lugar, quero agradecer pela observação. É mais um "gás" neste blog.

A dúvida do Tuninho foi a seguinte: qual a diferença entre "viagem" e "viajem"? Eu andei pesquisando, e em muitas gramáticas, tenho visto uma explicação bastante superficial. Apenas se diz: "viagem" (com g) se refere ao substantivo. Exemplo: Propus ao meu marido uma viagem ao Caribe. Já "viajem" refere-se ao verbo "viajar" conjugado na terceira pessoa do plural, no presente do subjuntivo. Exemplo: "Quero que eles viajem tranquilos".

Tal "explicação" não dirime a nossa dúvida: "cacildis", mas por que grafar um com "g" e o outro com "j"?  Vamos lá, é simples. Viagem é um substantivo terminado em "-agem". Salvo algumas raras exceções, substantivos terminados em "-agem" (vamos pensar no som) se escrevem com "g". Por exemplo: garagem, passagem, lavagem, bobagem etc. Vou citar uma exceção de que me lembrei: pajem.

Já o verbo "viajem" deriva de "viajar" (se "viajar" fosse escrito com "g", sabemos que teria outro som, não é? Por isso, obrigatoriamente se troca o "g" pelo "j". E é aí que começa a história). As formas flexionadas de um verbo regular devem seguir a grafia de seu infinitivo. Dessa forma, temos o radical "VIAJ", que é a parte inalterável do verbo viajar. Somando o radical VIAJ aos outros componentes – vogal temática, desinências número-pessoais e modo-temporais – temos a estrutura completa do verbo. Lembram-se das aulas de Estrutura das Palavras? Vamos tentar desfazer um pouco a imagem de "aula traumática" que essa matéria costuma ter nas nossas mentes de estudantes torturados pela Gramática de segundo grau. Tem gente que até chama de Dramática, haja vista o estrago que ela andou fazendo na sua vida.

Só pra ilustrar melhor, abaixo, coloquei a conjugação do verbo no presente do subjuntivo, com todas as pessoas, pra gente ter uma ideia global da questão.

eu VIAJe
tu VIAJes
ele VIAJe
nós VIAJemos
vós VIAJeis
eles VIAJem

Olha o VIAJEM com "j" aí, minha gente! Chora, cavaco... de novo. Não dá pra isolar "viajem" e sair comparando com "viagem". Por isso muita gente ainda tem dúvida, mesmo depois de ter estudado isso exaustivamente, por pelo menos uns 4 anos. Primeiro precisamos entender a estrutura de cada um. Depois, não vamos precisar comparar, porque nenhuma dúvida vai existir. É simples.

Pessoal, muita coisa parece difícil de entender (ou de explicar). Mas só parece. Quando a gente começa a conhecer, passa a curtir. O problema não está na Gramática. Está na forma como nos ensinaram no nível médio. Nem sempre era culpa do professor, e sim dos programas de aula prosaicos e mecânicos, que tinham qualquer objetivo, menos o de ensinar.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Resposta a um comentário ilustre


Esta postagem será uma resposta ao comentário que recebi ontem sobre a matéria "Hífen ou não". 

Adriano, obrigada pelo post. Eu estava até desistindo deste blog, mas seu comentário me incentivou a continuar postando. Errando ou acertando, aqui estou eu. E com esse novo acordo ortográfico, minha vida virou um verdadeiro inferno, pois minhas certezas começaram a cambalear (o que é normal no início). Mas é bom, pois assim voltamos ao hábito de estudar e saímos da zona de conforto. Já comprei tanta gramática e dicionário, desde que o acordo começou a dar sinais de realidade, que perdi a conta. E como vi divergência!

No dicionário Houaiss, que você usa como exemplo no seu post, já temos "micro-ondas" e "anti-inflamatório" com hífen porque em junho de 2009 já estava vigorando o novo acordo. E por mais que tenhamos tempo para adaptações a essa regra, todos os meios de comunicação já passaram a usá-la desde janeiro do mesmo ano. Poucos são os que não estão seguindo esse padrão. Mas ainda assim estão no seu direito. 
 
Com relação a "micro-organismo", consultei o dicionário do Bechara e vi as duas ocorrências: "micro-organismo" e "microrganismo" (forma variante). Só pra infernizar nossas vidinhas tão insignificantes (rs). E isso acontece com inúmeras palavras. Vou dar um exemplo (que nem é da turma do "com hífen ou não") que tirei do livro do Sacconi (Guia ortográfico e ortofônico): "relampear", cujas formas variantes, segundo ele, são: "relampejar, relampadejar, relampaguear, relampadar e relampar". É de arrepiar cabelinho do dedinho do pé (como diz minha avó). 

Agora, sobre não pronunciar "mi-cro-or-ga-nis-mo" exatamente como se escreve, pode acreditar que acontece com a grande maioria das palavras. Estamos pegando carona na "Lei do Menor Esforço" (uma das leis fonéticas, em que o falante simplifica a emissão dos sons, facilitando os órgãos do aparelho fonador). A gente não fala, por exemplo, "Con-de-de-Bon-fim" (o nome de uma rua da Tijuca). Falamos "Condibonfim" (mais ou menos isso). De fato, quase nunca falamos exatamente como escrevemos. Porque a fala se distingue da escrita (embora a escrita seja uma tentativa de registro da fala, e é isso que complica nossa vida na hora de escrever). Pra piorar, isso ainda varia de região pra região (não só no som como também no vocabulário e na estrutura frasal. É o que chamamos de variação diatópica). Embora essa variação não tenha relação direta com a tal lei fonética, é importante ressaltá-la aqui, porque ela também interfere na pronúncia (e muito). Só pra você ter uma ideia de como a nossa língua é rica. E como a nossa gramática "mete" medo.

Quanto ao símbolo de litro, eu concordo com você. Prefiro o símbolo com letra minúscula. Tenho pesquisado muito, e vejo que não há um consenso sobre o que será tendência (se "l" ou "L"). Eu trabalhei numa agência que fazia encartes para um supermercado, e os diretores de arte usavam uma fonte sem serifa, o que me obrigava a exigir o "L" em caixa alta, principalmente porque, por exigência do cliente, a medida deveria vir colada ao número correspondente, se este tivesse apenas um algarismo (é, o cliente tem sempre razão). Nesse caso, tínhamos que diferenciar, pra não gerar confusão, principalmente por se tratar de uma publicação que envolve questões legais. 

No site do Inmetro, símbolo não é abreviatura (portanto não tem ponto), não é expoente (portanto não se sobrescreve) e não tem plural. O que se diz em relação a letras minúsculas é na escrita do nome, já que temos símbolos escritos em maiúsculas (joule/J, coulomb/C, watt/W, por exemplo). Quanto ao litro, na tabela do Inmetro aparecem "l" e "L". Sendo assim, ambas as formas ainda são aceitas. 

Mas como você pediu minha opinião, digo que prefiro sempre usar em minúsculas, independente de a fonte ser serifada ou não. Sempre optarei por escrever assim, até o momento em que deixar de ser correto. 

Mais uma vez, obrigada pela força. Seu comentário me animou. E eu nem vejo como dúvida. Pra mim, foi uma colaboração grandiosa e uma opinião que merece todo o meu respeito.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Hífen ou não?

Timidamente, eu vou voltando a fazer minhas postagens. Sempre na expectativa de que a cada dia, haja mais visitas.

No post de hoje, vou falar sobre o novo acordo ortográfico, em vigor desde o ano passado. Não vou colocar todas as regras, porque vai ficar muito grande.

Honestamente, confesso que no início eu era contra, cheguei até a blasfemar, dizendo que ele jamais iria acontecer. Mas... aconteceu. Algumas mudanças foram úteis, outras já não. Mas deixemos pra lá... o que importa não é emitir minha rebelde opinião. O blog tem a função de explicar as regras a partir dos erros apresentados nas peças gráficas.

Bom, vamos à peça do dia. É o anúncio da linha Solar Expertise da L'Oréal. Estou colocando apenas metade do anúncio, justamente onde ocorre o erro. Está certo que ainda temos prazo para adotar a nova ortografia, mas todo mundo já está na "onda". Eu tinha falado sobre isso em outro post.


O título é "Transparência total com secagem imediata. Nunca uma alta proteção solar antiidade foi tão invisível".

Qual o erro? Vamos a um trecho do que diz a nova regra. Em palavras formadas por prefixos (anti, super, ultra, sub, etc.) ou por elementos que podem funcionar como prefixos (aero, eletro, auto, macro, micro, etc.), usa-se o hífen se o prefixo terminar com a mesma letra com que se inicia a outra palavra. Daí temos algumas alterações: antiinflamatório, microondas e arquiinimigo, por exemplo, agora se escrevem: anti-inflamatório, micro-ondas e arqui-inimigo. Então, para a nossa peça, o correto agora seria "anti-idade".

Muita gente vai ficar perdida com isso. Porque o que eu ouço por aí é: "algumas palavras que tinham hífen passam a não ter mais. Outras que não tinham agora levam. Já algumas outras ficam do jeito que estão". O "pobrema", meu povo e minha pova, é: QUAIS palavras? QUAL o critério? Já era difícil detectar isso antes, imagine agora. Enfim, hífen ainda é um grande problema. Tem que conhecer bem a origem da palavra, saber se ela funciona como prefixo, elemento de composição. Aff! É um exercício hercúleo. Mas Gramática é assim: a gente precisa se interessar pra conhecer melhor. Quando começa a conhecer, fica fácil entender. E entendendo mais, a gente passa a gostar. Não tem mistério. É prática, estudo e pesquisa.

Bem, acho que por hoje é só.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Série "Embalagens"

Depois de umas férias forçadas pela minha preguiça de sentar diante do computador (causada pela alta de calorias natalinas), estou de volta.

Enfim, tento ser variada nas minhas postagens. E desta vez, resolvi separar uma peça gráfica muito bonitinha. Mas há alguns deslizes, que não gostaria de considerar erro, e sim falta de atenção.

Vamos a ela. É a embalagem promocional do sabonete líquido íntimo Dermacyd, em que você compra um Delicata 200ml e ganha um Breeze de 120ml. Não sei quem elaborou essa peça, quem souber, "avisaê", por favor.


Não dá pra ler por aqui, mas vou transcrever as frases que contêm erros. Logo de cara, na descrição do produto, temos: "Sabonete Líquido íntimo Para a higiene diária da mulher", assim mesmo, com letras maiúsculas no meio da frase. Esse texto aparece duas vezes — de um lado está com o ponto após "íntimo". Então, para mim, é falta de atenção.

Em seguida, na gramatura do produto, usaram o símbolo errado: em vez de ml (letras minúsculas), colocaram mL (com o "l" maiúsculo). Vamos lá: segundo o próprio Inmetro estabelece: "símbolo não é expoente, não é abreviatura e não tem plural" (fonte: http://www.inmetro.gov.br). Portanto, sempre ao lado do número, sem ponto e no singular. Tanto nome como símbolo, em letra minúscula.

Quanto à pontuação, a nossa peça de hoje também comete seus pecadinhos. Acho que é um problema que aflige muita gente: o uso do travessão. Existe uma série de regras para seu uso, mas aqui vou tentar ser sintética, pois há sites que diferem o travessão (ou risca) da meia-risca, enquanto outros defendem que usam a mesma regra para um e outro. O travessão, grosso modo, serve para:
  • Indicar mudança de interlocutor nos diálogos.
  • Ligar palavras que não formem um substantivo composto (ex.: Ponte Rio—Niterói). Neste caso, alguns dizem que se deve usar a meia-risca.
  • Destacar no fim de um período: esclarecimento, explicação, conclusão do enunciado.
  • Delimitar intercalações e aposições, enfatizar trechos (ex.: Tudo que tenho — celular, chave, moedinhas — já foi colocado no detector de metais).
Vejamos o exemplo da nossa embalagem: "O exclusivo complexo ácido lático atomizado de lactoserum, proporciona higiene completa, conforto e bem-estar". Tudo bem com o primeiro travessão. Mas não se trata de uma intercalação? Deveríamos ter travessões duplos. Aqui, a vírgula é dispensável. Mas o travessão não elimina a vírgula em uma frase caso ela seja de rigor. Fica feio, mas é o correto. Por exemplo: "A Tatiana tem mania de revisar bula, revista, sites, encartes — sua paixão declarada —, folder, embalagem e tudo que juntar letrinha".

Lembre-se: muita gente usa o hífen (vulgo "tracinho") no lugar do travessão. Hífen NÃO é sinal de pontuação. Pra quem já sabe, vale relembrar. Pra quem não sabe, cabe anotar: atalho no computador para travessão é ALT+0151. O atalho ALT+0150 é pra meia-risca. Tem gente que acha o primeiro muito comprido, então prefere usar a segunda. Espero ter a grata oportunidade de falar sobre hífen e travessão.

O nosso último erro. Terceiro parágrafo da primeira coluna: "O sabonete líquido íntimo DERMACYD FEMINA DELICATA, cuida naturalmente da mulher...". Aqui temos um clássico deslize típico de quem redige termos da oração muito compridos, principalmente sujeitos. Lembram das aulas de análise sintática? Nem querem lembrar, né? Traumático. Mas é só entender melhor pra gostar.

Vamos pular aquela definição vaga do que é sujeito, para ir direto à regra de ouro: "em ordem direta, não se separam com vírgula sujeito e predicado/verbo". Não há complexidade. A vírgula obedece a critérios sintáticos (vamos esquecer um pouquinho a famosa pausa). Por isso, não se deve separar termos da oração unidos sintaticamente. Aliás, o povo pega um saquinho de vírgulas, põe a mão dentro e sai salpicando o texto. Mas isso é matéria para outro posy. Juro que reservo um pra falar melhor sobre a vírgula. Este aqui está se transformando num testamento.

Então, acho que é só. Que 2010 venha com mais leitores para o nosso blog.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Matéria de site...

Eu tinha dito que o blog era voltado para tanto para material publicitário como para matérias de revistas e sites, não é? Então, hoje, vou dar um descanso à agências de propaganda (por enquanto) e vou falar do site Globo.com. Também é meu preferido quando se trata de erros em material da internet.

Eu já cansei de mandar e-mails para eles corrigindo as matérias. E sempre recebo um e-mail de resposta, com o link da matéria corrigida, instantes depois. Ou seja, "tô" trabalhando de graça. Mas é pelo bem da redação. A matéria de hoje é do site Ego. Não vou nem discutir a importância desse site na minha vida, porque não vale a pena. Mas, infelizmente, tenho que ler de tudo, inclusive informações desnecessárias sobre a vida dos artistas. Cabe ressaltar que o Ego é o canal da Globo.com que apresenta mais erros.

Hoje, de relance, peguei uma matéria sobre a Susana Vieira, e de cara vi dois erros. Mas nessa matéria não se tratava propriamente de erro gramatical, e sim falta de atenção. Porque eles querem dar a notícia em primeira mão, então, redigem com certa rapidez e postam a matéria sem revisão. É, acabam confirmando que a pressa é sempre inimiga da perfeição. É aquela coisa que o grupo Globo gosta de falar no comercial: "on line, on time, full time"... "and no time" para revisão.


Eu marquei de vermelho os "deslizes" na matéria. Pode ser que eles tenham corrigido. Desta vez eu não mandei e-mail, porque queria publicar aqui as falhas. Depois eu mando. Ou não...

Bora lá. No subtítulo "Atriz dança animada e não se dá conta de que transparência revela mais do que ele gostaria", ao fazer a referência à palavra "atriz" (olha a anáfora aí, gente! Chora, cavaco!), em vez de colocar "ela", colocou "ele":. Deveria ser "... transparência revela mais do que ela gostaria".

No texto abaixo, esqueceu o "e" de "Cinquentinha". E trocou o "a" por "e" na palavra "revelado". Aí, acabou escrevendo: "Cinquntinha" e "reveledo".

Olha, erro de digitação acontece. Eu já cansei de corrigir e recorrigir as minhas matérias deste blog, por causa disso. Até tive a ajuda do meu amigo Renan, que consegue pegar essas falhas com uma facilidade gigantesca (podia ser revisor, né? Não, ele merece coisa melhor). Só que eu escrevo coisa pra caramba. Meus posts são enoooooooormes. Agora, uma matéria com 4 linhas e 3 erros de digitação? É muita falta de cuidado, mesmo. Querem dar a notícia antes de todo mundo, e acabam fazendo isso. Olha o R7.com, aí, meu povo e minha pova. O site da concorrente tem até um link chamado "Comunicar erro" (de gramática, inclusive). Não precisa nem dizer que eu A-MEI...

Então, é isso. Esta postagem foi fraca, mas foi democrática. Daqui a pouco eu volto com as agências, minhas contratantes potenciais.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Casa de ferreiro, espeto de pau - parte I

Nesta minha busca por uma vaguinha nas agências, venho visitando sites e mais sites – das menores às maiores. Sempre pergunto se eles estão precisando de revisor, falo da minha experiência, os clientes para os quais trabalhei e trabalho, blá, blá, blá... Mas diante da afirmativa deles de que estão bem servidos de revisor, minha vontade é dizer: "Ah! A agência 'tá' mesmo bem servida? Então, olha isso...". Dá vontade de pegar os trabalhos que eu revisei e mostrar que não é bem assim. Só que aí começo a pensar: "Tatiana, 'tu não é' (sic) a última bolacha do pacote, não. 'Tu erra' (sic), também". Além do que a boa educação me manda dizer, com aquela falsa alegria de telemarketing: "Olá!!! Muito obrigada pela resposta imediata. Aproveito para informar que estou sempre à disposição, inclusive para trabalhar como freelancer".

Mas meu recalque não se controla. Vou passeando pela internet e vejo que, realmente, em casa de ferreiro, o espeto é de pau. Há uma série de erros gramaticais (sem falar em outros tipos) nos sites de algumas agências. O que não deveria ocorrer, já que o site é um cartão de visita das empresas de publicidade (aliás, de qualquer tipo de negócio).

Então, comecei a série "Casa de ferreiro, espeto de pau". Vou tentar postar os erros das "mais-mais", senão vou ter que criar um blog especial só pra esta série. Vamos inaugurar com a Artplan. Peguei um trecho da página sobre a Agência (tive que "disfarçar"a carinha do artista). A seguir:


Segundo parágrafo: "A separação entre propaganda convencional, promoção, eventos e tantas outras ferramentas de comunicação não existe mais. As vezes, uma solução criativa está na propaganda sozinha. As vezes não. Por isso, não basta ser apenas uma agência tradicional, mas um parceiro estratégico". Faltou a crase de "Às vezes", nas duas marcações. É regra: quando é locução adverbial (feminina) de tempo – determinando frequência –, leva o acento grave, indicativo de crase. Já se "as vezes" significar "o papel", como em: "Faço as vezes (= o papel) de médico aqui em casa", então não teremos a ocorrência de crase. Assim como também não ocorrerá crase em: "Foram raras as vezes (foram raros os momentos) em que eu não procurei erro em um texto". Porque aqui "vezes" é substantivo e não está se juntando a nenhum outro elemento para compor uma locução. É simples. Macete (odeio macete, mas às vezes funciona. E aqui, serve só para efeito comparativo e não de sentido): substituir por outro advérbio de tempo (masculino): "Às vezes (aos sábados), eu saio para fazer compras no shopping".

E continua. Existe uma barra de rolagem. Por isso, na imagem não aparece todo o texto, mas vou reproduzir o pedaço restante.

2. Não sei quando publicaram o texto. Mas como a própria agência se intitula "uma das 15 maiores agências do país", precisa atualizar o site, sempre que possível. Sabemos que a antiga regra ortográfica ainda não foi extinta. Mas a maioria dos meios de comunicação já adotou o novo acordo. Questão de afinação com a atualidade.

No penúltimo parágrafo, temos: "Queremos, sim, fazer muitos filmes, anúncios, jingles e outdoors para você. Mas ainda é pouco. É preciso surpreender o consumidor com novos caminhos e formatos de idéias, ousar, reinventar modelos já desgastados". Pois é... texto bacaninha. Mas "ideia" perdeu o acento agudo. Vale lembrar aqui a nova regra: não se usa mais o acento dos ditongos abertos "éi" e "ói" das paroxítonas. Paróxitonas são as palavras cujo acento tônico recai na penúltima sílaba. Mas atenção: as oxítonas em "éi" e "ói" continuam com acento agudo. Assim, "heróico" passa a se escrever "heroico". No entanto, "herói" continua acentuado.

3. E pra fechar este post, lá no link para o filme, com a foto do artista, temos um erro de regência. O verbo "assistir" admite regências diferentes, podendo ser transitivo direto, transitivo indireto ou intransitivo. Mas quando se muda a regência, o significado muda junto.

Vamos lá. Assistir, no sentido de "ajudar", não requer preposição: "Assistia os doentes sempre que podia". No sentido de "morar", é intransitivo. Admite um adjunto adverbial: "Assisto no Rio de Janeiro". Ainda temos o sentido "caber, competir, pertencer", que solicita a preposição "a": "É um direito que assiste a todos". O mesmo vale para "assistir" no sentido de "ver, presenciar": "Clique aqui e assista ao filme" – a construção que deveria estar no site.

Espero que este blog não esteja sendo visto de forma negativa. Com todo o meu respeito, não estou reproduzindo estas informações com intenção de depreciar ninguém. Caso alguém se sinta ofendido, é só entrar em contato comigo, e eu tiro a imagem do blog. Caso alguém se sinta desamparado, me chama... estou aberta a propostas... hehehehe.

É isso. Atentos à próxima.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Isto ou isso?

Nos meus processos de revisão, sempre fiz muitas substituições de "isso" por "isto" e vice-versa. Como sempre havia alguém que não se conformava, a pergunta logo surgia: "Mas por que aqui você trocou?", ou então: "Não entendo quando usar um ou outro". A gente aprende de uma forma bem prática: perto ou longe.

A diferença entre isto e isso está na relação de proximidade do emissor. Se algo está perto de mim, e eu estou falando com outra pessoa, uso "isto": "Isto aqui é meu". Se o objeto está perto da pessoa com quem falo, eu uso "isso": "Isso aí também é meu".

Seguindo essa lógica, fica fácil. Mas, e quando se trata de um texto como: "Isso/Isto é o que acontece comigo: mania de revisar". Como saber se é "isso" ou "isto"? Aí, a gente tem que entrar numa história muito conhecida dos redatores: coesão e coerência. Sem muita enrolação, vamos direto para referência, que é uma categoria de procedimento da qual depende a coesão textual. De uma forma mais "pop", vamos combinar mais ou menos assim: é a função pela qual um termo se relaciona com outro dentro de um contexto.

Temos dois tipos de referência: endofórica e exofórica. A primeira se dá com elementos do próprio texto; a segunda é extratextual. No nosso caso, vamos falar da endofórica, que, por sua vez, pode ser anafórica ou catafórica. A anafórica se dá quando o item de referência retoma um signo já expresso anteriormente (como se quiséssemos "relembrar" o que dissemos). Exemplo: A Tatiana é meio maluca. Ela tem mania de revisar. "Ela", aqui, faz menção a "Tatiana", termo já apresentado na oração anterior. Já na catafórica, o item de referência vai antecipar uma informação ainda não expressa no texto (tipo um teaser, anunciando: "prestenção no que vem por aí"). Exemplo: Só quero isto: que não haja mais erros gramaticais em peças publicitárias. É aí que se ilustra a relação de proximidade de que falamos lá em cima. Só que aqui, não temos uma distância "física".   


Bem, na peça deste post, temos logo de cara um exemplo de cada referência, curiosamente invertidos, se quisermos ser rígidos quanto à língua (o que é humanamente impossível, em se tratando de um elemento vivo).

Vamos à primeira oração: "Imagine se isso acontecesse com as suas axilas". O signo ainda não foi expresso no texto. Ou seja, temos uma referência catafórica. E qual seria o "signo" aqui? A pétala de rosa murcha. Logo, "isso" se refere a "suas axilas sem hidratação". Se temos uma catáfora, deveríamos usar: "isto" (via de regra, gente).

Já ao final, no bloco de texto ao lado do desodorante, temos a última frase: "O seu antitranspirante consegue fazer isto?". Uai, se estamos retomando tudo o que já foi dito  (tudo que Dove faz: axilas maravilhosas, pele hidratada, macia e com 24 horas de proteção), temos uma anáfora. Mais precisamente uma substituição,  na qual o componente é retomado por uma pro-forma verbal (o verbo fazer, sempre acompanhado de uma forma pronominal. No caso, "isto"), com uma função pro-oração. Palma, palma, não priemos cânico. Traduzindo, "fazer isto" substitui toda a frase (ou ideia): "manter suas axilas 17% mais hidratadas, blá, blá, blá e tchau, odor", para que o texto não fique repetitivo. Mecanismo de coesão. Mas então, não deveria ser "isso", em vez de "isto"?

O primeiro caso é bem claro. Já no segundo, há divergências. Porque uns afirmam que a informação "acabou" de ser dada, então, a proximidade se comprova, permitindo usar "isto". Já outros dizem que, se estamos fazendo menção a um termo que já foi apresentado, a regra é usar "isso" (levando em conta passagens de um texto que precedem um determinado passo do discurso escrito). No nosso português, isso não é claro. A gente vê, na grande maioria, "isso" no lugar de "isto". Até porque é mais econômico falar (em fonética, a lei do menor esfoço).


Anáforas e catáforas à parte (chega de desgraça), tem uma coisa que eu não considero grave, mas tem que acertar. Na segunda imagem da pétala (da axila que não usa Dove), após as reticências, eles bem que poderiam ter colocado um espaço: "... do que os outros antitranspirantes". Concordam?

Agora chega, né?

Depois dessa, só uma cervejinha – a que desce "redondo". Mas sem falar de derivação imprópria do "redondo". Eu prefiro um franguinho à (moda) passarinho pra acompanhar. Gramática causa indigestão.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

HSBC, minha grande paixão

Bem, gente, HSBC é meu xodó. Não é só porque eu reviso material do banco, não. É porque ele tem um Guide absolutamente fantástico. Para quem gosta de revisar e tem TOC como eu, o Guide é uma bíblia.
Então, peguei um flyer numa agência do HSBC – coisa que faço com frequência. Pior: fico olhando até banner e cartaz afixado na parede. O segurança do banco não me vê com bons olhos.


Lá vai a peça deste post (material de agência concorrente).

Vou reproduzir o primeiro parágrafo: "Trocar de carro, fazer a viagem dos sonhos, reformar a sua casa – seja qual for seu objetivo com o Investimento Programado do HSBC ele é possível. Tudo que você precisa é de planejamento e aplicações regulares, assim seu dinheiro vai rendendo e quando perceber já estará bem perto de concretizar seus projetos".

Se eu seguir uma linha rígida, já teria considerado "Trocar de carro" um erro, já que trocar é um verbo transitivo direto. Ou seja, via de regra, não solicita preposição. Mas, como a linguagem é direta ao cliente, até não vejo problema com isso, não. Não posso engessar um texto publicitário.

O problema começa com o texto após o travessão. O correto seria colocar uma vírgula após "objetivo" e outra depois de "HSBC". Vejamos se agora não gera um entendimento mais organizado: "seja qual for seu objetivo, com o Investimento Programado do HSBC, ele é possível". Melhorou, né? Gente, vírgula não é necessariamente pausa. Entendo que ela também esteja ligada à Sintaxe, com o objetivo de organizar as orações. De forma que nos permita uma leitura compreensível e não gere confusão.

A segunda oração também está confusa. Em primeiro lugar, minha rigidez para "Tudo que você precisa". Bem, "precisar" é um verbo transitivo indireto. Solicita uma preposição ("de"). "Que", neste caso, funciona como pronome relativo. Então deveríamos usar a preposição junto a "que" (lembram das aulas da tia do português? Pronomes relativos e regência verbal, essas torturas de que gosto muito e sem as quais não vivo): "Tudo de que você precisa é planejamento" seria a construção mais correta. Mas, como é texto publicitário... sem gesso, dona Tatica. Mas o pior está por vir. Temos: "assim seu dinheiro vai rendendo e quando perceber já estará bem perto de concretizar seus projetos". Aqui, faltaram as vírgulas para organizar a massa de texto. Além disso, o sentido produzido, com a presença da conjunção "e", leva-nos a inferir que é o dinheiro que "percebe" ou "está perto de concretizar" algo. É claro que essa não foi a intenção do redator. Ele quis subentender outro sujeito: "você". Existe uma regra pouco usada, que exige a vírgula antes da conjunção "e" quando ela une duas orações com sujeitos diferentes. É o caso. E eu sugiro colocar "você", para que tenhamos clareza. Sugestão minha no trecho: "assim seu dinheiro vai rendendo, e quando você perceber, já estará bem perto de concretizar seus projetos".

Fechou? Ainda não... minha revisão do segundo parágrafo é puro estilo. Primeiro, na terceira linha, há uma única hifenização (a palavra "automaticamente"). A coluna de texto inteira não tinha um único hífen separando sílabas. Vai ter só aqui? Falta de cuidado, meu povo e minha pova! Fora que a palavra "sonhos" ficou sozinha, coitada, na última linha.

É isso, minha gente. Como diria meu amigo Gatti: "Me corrija se eu estiver errada".





Apresentando o blog

Gente, minha ideia pra fazer este blog? Nem foi minha. Mas quem me conhece sabe que eu tenho TOC de revisão. Eu reviso absolutamente tudo. Não sei por quê. Só sei que começou com uma vontade incessante de "alinhar" objetos aparentemente tortos – tipo, na mesa de uma pizzaria, em vez de conversar, eu ficava alinhando o porta-guardanapo com a cestinha de ketchup. Eu cheguei ao cúmulo de estar em uma delegacia registrando uma ocorrência (tinha sofrido um assalto) e comecei a revisar o Registro de Ocorrência. No meio de um enterro, vim descendo a ladeira do cemitério, e deparei com um acento onde não devia. Na maior tristeza, de repente, perdida no tempo, eu me pego corrigindo: "Pô, mas Cacuia não tem acento!". Tudo isso é verdade. Sou dodói.
Enfim, encontrei o emprego certo quando me candidatei a revisora em uma agência de publicidade, que tinha como cliente um supermercado. Vocês não imaginam a minha alegria em revisar encarte. Aliás, coleciono encartes. Só pra revisar...
Mas também só sei fazer isso. Porque, curiosamente, não consigo compreender a complexidade de fazer contas. A Matemática não gosta de ser generosa comigo. Tenho testemunhas que comprovam a minha, digamos, deficiência técnica para entender números. Sempre fico devendo 50 centavos pro camelô. E ai de quem deboche desta minha dificuldade. Dá até briga. Mas essa história dá muito pano pra manga; até para fazer outro blog, que se chamaria, com muita justiça: "Não sei fazer conta". Fora as minhas outras incapacidades, principalmente com tecnologia. Nasci antes de Cristo e estou sobrevivendo da palavra... e da gramática.
Mas voltando à minha incontestável capacidade para ser intransigente...
Minha mania de revisar é tanta que eu não só corrijo como envio às empresas, editoras, agências, etc. as minhas correções. Algumas me respondem, agradecendo (educadamente ou não). Outras nem me dão confiança. Aí é que eu implico mais ainda.
Então, um amigo querido me deu a ideia de fazer um blog. Aqui estou. Espero ter uma quantidade de visitantes suficiente e conto com a ajuda de quem for ler. Se achar algum anúncio ou matéria com qualquer possível erro, me manda. Ah! E se precisar de revisor, me chama!