Esta é mais uma postagem de resposta a um comentário. Desta vez, foi o Tuninho Silva. Em primeiro lugar, quero agradecer pela observação. É mais um "gás" neste blog.
A dúvida do Tuninho foi a seguinte: qual a diferença entre "viagem" e "viajem"? Eu andei pesquisando, e em muitas gramáticas, tenho visto uma explicação bastante superficial. Apenas se diz: "viagem" (com g) se refere ao substantivo. Exemplo: Propus ao meu marido uma viagem ao Caribe. Já "viajem" refere-se ao verbo "viajar" conjugado na terceira pessoa do plural, no presente do subjuntivo. Exemplo: "Quero que eles viajem tranquilos".
Tal "explicação" não dirime a nossa dúvida: "cacildis", mas por que grafar um com "g" e o outro com "j"? Vamos lá, é simples. Viagem é um substantivo terminado em "-agem". Salvo algumas raras exceções, substantivos terminados em "-agem" (vamos pensar no som) se escrevem com "g". Por exemplo: garagem, passagem, lavagem, bobagem etc. Vou citar uma exceção de que me lembrei: pajem.
Já o verbo "viajem" deriva de "viajar" (se "viajar" fosse escrito com "g", sabemos que teria outro som, não é? Por isso, obrigatoriamente se troca o "g" pelo "j". E é aí que começa a história). As formas flexionadas de um verbo regular devem seguir a grafia de seu infinitivo. Dessa forma, temos o radical "VIAJ", que é a parte inalterável do verbo viajar. Somando o radical VIAJ aos outros componentes – vogal temática, desinências número-pessoais e modo-temporais – temos a estrutura completa do verbo. Lembram-se das aulas de Estrutura das Palavras? Vamos tentar desfazer um pouco a imagem de "aula traumática" que essa matéria costuma ter nas nossas mentes de estudantes torturados pela Gramática de segundo grau. Tem gente que até chama de Dramática, haja vista o estrago que ela andou fazendo na sua vida.
Só pra ilustrar melhor, abaixo, coloquei a conjugação do verbo no presente do subjuntivo, com todas as pessoas, pra gente ter uma ideia global da questão.
eu VIAJe
tu VIAJes
ele VIAJe
nós VIAJemos
vós VIAJeis
eles VIAJem
Olha o VIAJEM com "j" aí, minha gente! Chora, cavaco... de novo. Não dá pra isolar "viajem" e sair comparando com "viagem". Por isso muita gente ainda tem dúvida, mesmo depois de ter estudado isso exaustivamente, por pelo menos uns 4 anos. Primeiro precisamos entender a estrutura de cada um. Depois, não vamos precisar comparar, porque nenhuma dúvida vai existir. É simples.
Pessoal, muita coisa parece difícil de entender (ou de explicar). Mas só parece. Quando a gente começa a conhecer, passa a curtir. O problema não está na Gramática. Está na forma como nos ensinaram no nível médio. Nem sempre era culpa do professor, e sim dos programas de aula prosaicos e mecânicos, que tinham qualquer objetivo, menos o de ensinar.
Este é um blog que destaca erros de layout e gramática em peças publicitárias ou matérias de revistas, jornais, sites, etc. Antes de mais nada, trata-se de material didático. Não quero ofender nenhuma agência, redator, diretor de arte ou revisor. Tanto é que, além das correções, eu vou explicando as regras. É um material de consulta pros meus colegas de profissão. E, precisando de um revisor, estou às ordens... rs.
quinta-feira, 25 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
Resposta a um comentário ilustre
Esta postagem será uma resposta ao comentário que recebi ontem sobre a matéria "Hífen ou não".
Adriano, obrigada pelo post. Eu estava até desistindo deste blog, mas seu comentário me incentivou a continuar postando. Errando ou acertando, aqui estou eu. E com esse novo acordo ortográfico, minha vida virou um verdadeiro inferno, pois minhas certezas começaram a cambalear (o que é normal no início). Mas é bom, pois assim voltamos ao hábito de estudar e saímos da zona de conforto. Já comprei tanta gramática e dicionário, desde que o acordo começou a dar sinais de realidade, que perdi a conta. E como vi divergência!
No dicionário Houaiss, que você usa como exemplo no seu post, já temos "micro-ondas" e "anti-inflamatório" com hífen porque em junho de 2009 já estava vigorando o novo acordo. E por mais que tenhamos tempo para adaptações a essa regra, todos os meios de comunicação já passaram a usá-la desde janeiro do mesmo ano. Poucos são os que não estão seguindo esse padrão. Mas ainda assim estão no seu direito.
Com relação a "micro-organismo", consultei o dicionário do Bechara e vi as duas ocorrências: "micro-organismo" e "microrganismo" (forma variante). Só pra infernizar nossas vidinhas tão insignificantes (rs). E isso acontece com inúmeras palavras. Vou dar um exemplo (que nem é da turma do "com hífen ou não") que tirei do livro do Sacconi (Guia ortográfico e ortofônico): "relampear", cujas formas variantes, segundo ele, são: "relampejar, relampadejar, relampaguear, relampadar e relampar". É de arrepiar cabelinho do dedinho do pé (como diz minha avó).
Agora, sobre não pronunciar "mi-cro-or-ga-nis-mo" exatamente como se escreve, pode acreditar que acontece com a grande maioria das palavras. Estamos pegando carona na "Lei do Menor Esforço" (uma das leis fonéticas, em que o falante simplifica a emissão dos sons, facilitando os órgãos do aparelho fonador). A gente não fala, por exemplo, "Con-de-de-Bon-fim" (o nome de uma rua da Tijuca). Falamos "Condibonfim" (mais ou menos isso). De fato, quase nunca falamos exatamente como escrevemos. Porque a fala se distingue da escrita (embora a escrita seja uma tentativa de registro da fala, e é isso que complica nossa vida na hora de escrever). Pra piorar, isso ainda varia de região pra região (não só no som como também no vocabulário e na estrutura frasal. É o que chamamos de variação diatópica). Embora essa variação não tenha relação direta com a tal lei fonética, é importante ressaltá-la aqui, porque ela também interfere na pronúncia (e muito). Só pra você ter uma ideia de como a nossa língua é rica. E como a nossa gramática "mete" medo.
Quanto ao símbolo de litro, eu concordo com você. Prefiro o símbolo com letra minúscula. Tenho pesquisado muito, e vejo que não há um consenso sobre o que será tendência (se "l" ou "L"). Eu trabalhei numa agência que fazia encartes para um supermercado, e os diretores de arte usavam uma fonte sem serifa, o que me obrigava a exigir o "L" em caixa alta, principalmente porque, por exigência do cliente, a medida deveria vir colada ao número correspondente, se este tivesse apenas um algarismo (é, o cliente tem sempre razão). Nesse caso, tínhamos que diferenciar, pra não gerar confusão, principalmente por se tratar de uma publicação que envolve questões legais.
No site do Inmetro, símbolo não é abreviatura (portanto não tem ponto), não é expoente (portanto não se sobrescreve) e não tem plural. O que se diz em relação a letras minúsculas é na escrita do nome, já que temos símbolos escritos em maiúsculas (joule/J, coulomb/C, watt/W, por exemplo). Quanto ao litro, na tabela do Inmetro aparecem "l" e "L". Sendo assim, ambas as formas ainda são aceitas.
Mas como você pediu minha opinião, digo que prefiro sempre usar em minúsculas, independente de a fonte ser serifada ou não. Sempre optarei por escrever assim, até o momento em que deixar de ser correto.
Agora, sobre não pronunciar "mi-cro-or-ga-nis-mo" exatamente como se escreve, pode acreditar que acontece com a grande maioria das palavras. Estamos pegando carona na "Lei do Menor Esforço" (uma das leis fonéticas, em que o falante simplifica a emissão dos sons, facilitando os órgãos do aparelho fonador). A gente não fala, por exemplo, "Con-de-de-Bon-fim" (o nome de uma rua da Tijuca). Falamos "Condibonfim" (mais ou menos isso). De fato, quase nunca falamos exatamente como escrevemos. Porque a fala se distingue da escrita (embora a escrita seja uma tentativa de registro da fala, e é isso que complica nossa vida na hora de escrever). Pra piorar, isso ainda varia de região pra região (não só no som como também no vocabulário e na estrutura frasal. É o que chamamos de variação diatópica). Embora essa variação não tenha relação direta com a tal lei fonética, é importante ressaltá-la aqui, porque ela também interfere na pronúncia (e muito). Só pra você ter uma ideia de como a nossa língua é rica. E como a nossa gramática "mete" medo.
Quanto ao símbolo de litro, eu concordo com você. Prefiro o símbolo com letra minúscula. Tenho pesquisado muito, e vejo que não há um consenso sobre o que será tendência (se "l" ou "L"). Eu trabalhei numa agência que fazia encartes para um supermercado, e os diretores de arte usavam uma fonte sem serifa, o que me obrigava a exigir o "L" em caixa alta, principalmente porque, por exigência do cliente, a medida deveria vir colada ao número correspondente, se este tivesse apenas um algarismo (é, o cliente tem sempre razão). Nesse caso, tínhamos que diferenciar, pra não gerar confusão, principalmente por se tratar de uma publicação que envolve questões legais.
No site do Inmetro, símbolo não é abreviatura (portanto não tem ponto), não é expoente (portanto não se sobrescreve) e não tem plural. O que se diz em relação a letras minúsculas é na escrita do nome, já que temos símbolos escritos em maiúsculas (joule/J, coulomb/C, watt/W, por exemplo). Quanto ao litro, na tabela do Inmetro aparecem "l" e "L". Sendo assim, ambas as formas ainda são aceitas.
Mas como você pediu minha opinião, digo que prefiro sempre usar em minúsculas, independente de a fonte ser serifada ou não. Sempre optarei por escrever assim, até o momento em que deixar de ser correto.
Mais uma vez, obrigada pela força. Seu comentário me animou. E eu nem vejo como dúvida. Pra mim, foi uma colaboração grandiosa e uma opinião que merece todo o meu respeito.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Hífen ou não?
Timidamente, eu vou voltando a fazer minhas postagens. Sempre na expectativa de que a cada dia, haja mais visitas.
No post de hoje, vou falar sobre o novo acordo ortográfico, em vigor desde o ano passado. Não vou colocar todas as regras, porque vai ficar muito grande.
Honestamente, confesso que no início eu era contra, cheguei até a blasfemar, dizendo que ele jamais iria acontecer. Mas... aconteceu. Algumas mudanças foram úteis, outras já não. Mas deixemos pra lá... o que importa não é emitir minha rebelde opinião. O blog tem a função de explicar as regras a partir dos erros apresentados nas peças gráficas.
Bom, vamos à peça do dia. É o anúncio da linha Solar Expertise da L'Oréal. Estou colocando apenas metade do anúncio, justamente onde ocorre o erro. Está certo que ainda temos prazo para adotar a nova ortografia, mas todo mundo já está na "onda". Eu tinha falado sobre isso em outro post.
O título é "Transparência total com secagem imediata. Nunca uma alta proteção solar antiidade foi tão invisível".
Qual o erro? Vamos a um trecho do que diz a nova regra. Em palavras formadas por prefixos (anti, super, ultra, sub, etc.) ou por elementos que podem funcionar como prefixos (aero, eletro, auto, macro, micro, etc.), usa-se o hífen se o prefixo terminar com a mesma letra com que se inicia a outra palavra. Daí temos algumas alterações: antiinflamatório, microondas e arquiinimigo, por exemplo, agora se escrevem: anti-inflamatório, micro-ondas e arqui-inimigo. Então, para a nossa peça, o correto agora seria "anti-idade".
Muita gente vai ficar perdida com isso. Porque o que eu ouço por aí é: "algumas palavras que tinham hífen passam a não ter mais. Outras que não tinham agora levam. Já algumas outras ficam do jeito que estão". O "pobrema", meu povo e minha pova, é: QUAIS palavras? QUAL o critério? Já era difícil detectar isso antes, imagine agora. Enfim, hífen ainda é um grande problema. Tem que conhecer bem a origem da palavra, saber se ela funciona como prefixo, elemento de composição. Aff! É um exercício hercúleo. Mas Gramática é assim: a gente precisa se interessar pra conhecer melhor. Quando começa a conhecer, fica fácil entender. E entendendo mais, a gente passa a gostar. Não tem mistério. É prática, estudo e pesquisa.
Bem, acho que por hoje é só.
No post de hoje, vou falar sobre o novo acordo ortográfico, em vigor desde o ano passado. Não vou colocar todas as regras, porque vai ficar muito grande.
Honestamente, confesso que no início eu era contra, cheguei até a blasfemar, dizendo que ele jamais iria acontecer. Mas... aconteceu. Algumas mudanças foram úteis, outras já não. Mas deixemos pra lá... o que importa não é emitir minha rebelde opinião. O blog tem a função de explicar as regras a partir dos erros apresentados nas peças gráficas.
Bom, vamos à peça do dia. É o anúncio da linha Solar Expertise da L'Oréal. Estou colocando apenas metade do anúncio, justamente onde ocorre o erro. Está certo que ainda temos prazo para adotar a nova ortografia, mas todo mundo já está na "onda". Eu tinha falado sobre isso em outro post.
O título é "Transparência total com secagem imediata. Nunca uma alta proteção solar antiidade foi tão invisível".
Qual o erro? Vamos a um trecho do que diz a nova regra. Em palavras formadas por prefixos (anti, super, ultra, sub, etc.) ou por elementos que podem funcionar como prefixos (aero, eletro, auto, macro, micro, etc.), usa-se o hífen se o prefixo terminar com a mesma letra com que se inicia a outra palavra. Daí temos algumas alterações: antiinflamatório, microondas e arquiinimigo, por exemplo, agora se escrevem: anti-inflamatório, micro-ondas e arqui-inimigo. Então, para a nossa peça, o correto agora seria "anti-idade".
Muita gente vai ficar perdida com isso. Porque o que eu ouço por aí é: "algumas palavras que tinham hífen passam a não ter mais. Outras que não tinham agora levam. Já algumas outras ficam do jeito que estão". O "pobrema", meu povo e minha pova, é: QUAIS palavras? QUAL o critério? Já era difícil detectar isso antes, imagine agora. Enfim, hífen ainda é um grande problema. Tem que conhecer bem a origem da palavra, saber se ela funciona como prefixo, elemento de composição. Aff! É um exercício hercúleo. Mas Gramática é assim: a gente precisa se interessar pra conhecer melhor. Quando começa a conhecer, fica fácil entender. E entendendo mais, a gente passa a gostar. Não tem mistério. É prática, estudo e pesquisa.
Bem, acho que por hoje é só.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Série "Embalagens"
Depois de umas férias forçadas pela minha preguiça de sentar diante do computador (causada pela alta de calorias natalinas), estou de volta.
Enfim, tento ser variada nas minhas postagens. E desta vez, resolvi separar uma peça gráfica muito bonitinha. Mas há alguns deslizes, que não gostaria de considerar erro, e sim falta de atenção.
Vamos a ela. É a embalagem promocional do sabonete líquido íntimo Dermacyd, em que você compra um Delicata 200ml e ganha um Breeze de 120ml. Não sei quem elaborou essa peça, quem souber, "avisaê", por favor.
Não dá pra ler por aqui, mas vou transcrever as frases que contêm erros. Logo de cara, na descrição do produto, temos: "Sabonete Líquido íntimo Para a higiene diária da mulher", assim mesmo, com letras maiúsculas no meio da frase. Esse texto aparece duas vezes — de um lado está com o ponto após "íntimo". Então, para mim, é falta de atenção.
Em seguida, na gramatura do produto, usaram o símbolo errado: em vez de ml (letras minúsculas), colocaram mL (com o "l" maiúsculo). Vamos lá: segundo o próprio Inmetro estabelece: "símbolo não é expoente, não é abreviatura e não tem plural" (fonte: http://www.inmetro.gov.br). Portanto, sempre ao lado do número, sem ponto e no singular. Tanto nome como símbolo, em letra minúscula.
Quanto à pontuação, a nossa peça de hoje também comete seus pecadinhos. Acho que é um problema que aflige muita gente: o uso do travessão. Existe uma série de regras para seu uso, mas aqui vou tentar ser sintética, pois há sites que diferem o travessão (ou risca) da meia-risca, enquanto outros defendem que usam a mesma regra para um e outro. O travessão, grosso modo, serve para:
Lembre-se: muita gente usa o hífen (vulgo "tracinho") no lugar do travessão. Hífen NÃO é sinal de pontuação. Pra quem já sabe, vale relembrar. Pra quem não sabe, cabe anotar: atalho no computador para travessão é ALT+0151. O atalho ALT+0150 é pra meia-risca. Tem gente que acha o primeiro muito comprido, então prefere usar a segunda. Espero ter a grata oportunidade de falar sobre hífen e travessão.
O nosso último erro. Terceiro parágrafo da primeira coluna: "O sabonete líquido íntimo DERMACYD FEMINA DELICATA, cuida naturalmente da mulher...". Aqui temos um clássico deslize típico de quem redige termos da oração muito compridos, principalmente sujeitos. Lembram das aulas de análise sintática? Nem querem lembrar, né? Traumático. Mas é só entender melhor pra gostar.
Vamos pular aquela definição vaga do que é sujeito, para ir direto à regra de ouro: "em ordem direta, não se separam com vírgula sujeito e predicado/verbo". Não há complexidade. A vírgula obedece a critérios sintáticos (vamos esquecer um pouquinho a famosa pausa). Por isso, não se deve separar termos da oração unidos sintaticamente. Aliás, o povo pega um saquinho de vírgulas, põe a mão dentro e sai salpicando o texto. Mas isso é matéria para outro posy. Juro que reservo um pra falar melhor sobre a vírgula. Este aqui está se transformando num testamento.
Então, acho que é só. Que 2010 venha com mais leitores para o nosso blog.
Enfim, tento ser variada nas minhas postagens. E desta vez, resolvi separar uma peça gráfica muito bonitinha. Mas há alguns deslizes, que não gostaria de considerar erro, e sim falta de atenção.
Vamos a ela. É a embalagem promocional do sabonete líquido íntimo Dermacyd, em que você compra um Delicata 200ml e ganha um Breeze de 120ml. Não sei quem elaborou essa peça, quem souber, "avisaê", por favor.
Não dá pra ler por aqui, mas vou transcrever as frases que contêm erros. Logo de cara, na descrição do produto, temos: "Sabonete Líquido íntimo Para a higiene diária da mulher", assim mesmo, com letras maiúsculas no meio da frase. Esse texto aparece duas vezes — de um lado está com o ponto após "íntimo". Então, para mim, é falta de atenção.
Em seguida, na gramatura do produto, usaram o símbolo errado: em vez de ml (letras minúsculas), colocaram mL (com o "l" maiúsculo). Vamos lá: segundo o próprio Inmetro estabelece: "símbolo não é expoente, não é abreviatura e não tem plural" (fonte: http://www.inmetro.gov.br). Portanto, sempre ao lado do número, sem ponto e no singular. Tanto nome como símbolo, em letra minúscula.
Quanto à pontuação, a nossa peça de hoje também comete seus pecadinhos. Acho que é um problema que aflige muita gente: o uso do travessão. Existe uma série de regras para seu uso, mas aqui vou tentar ser sintética, pois há sites que diferem o travessão (ou risca) da meia-risca, enquanto outros defendem que usam a mesma regra para um e outro. O travessão, grosso modo, serve para:
- Indicar mudança de interlocutor nos diálogos.
- Ligar palavras que não formem um substantivo composto (ex.: Ponte Rio—Niterói). Neste caso, alguns dizem que se deve usar a meia-risca.
- Destacar no fim de um período: esclarecimento, explicação, conclusão do enunciado.
- Delimitar intercalações e aposições, enfatizar trechos (ex.: Tudo que tenho — celular, chave, moedinhas — já foi colocado no detector de metais).
Lembre-se: muita gente usa o hífen (vulgo "tracinho") no lugar do travessão. Hífen NÃO é sinal de pontuação. Pra quem já sabe, vale relembrar. Pra quem não sabe, cabe anotar: atalho no computador para travessão é ALT+0151. O atalho ALT+0150 é pra meia-risca. Tem gente que acha o primeiro muito comprido, então prefere usar a segunda. Espero ter a grata oportunidade de falar sobre hífen e travessão.
O nosso último erro. Terceiro parágrafo da primeira coluna: "O sabonete líquido íntimo DERMACYD FEMINA DELICATA, cuida naturalmente da mulher...". Aqui temos um clássico deslize típico de quem redige termos da oração muito compridos, principalmente sujeitos. Lembram das aulas de análise sintática? Nem querem lembrar, né? Traumático. Mas é só entender melhor pra gostar.
Vamos pular aquela definição vaga do que é sujeito, para ir direto à regra de ouro: "em ordem direta, não se separam com vírgula sujeito e predicado/verbo". Não há complexidade. A vírgula obedece a critérios sintáticos (vamos esquecer um pouquinho a famosa pausa). Por isso, não se deve separar termos da oração unidos sintaticamente. Aliás, o povo pega um saquinho de vírgulas, põe a mão dentro e sai salpicando o texto. Mas isso é matéria para outro posy. Juro que reservo um pra falar melhor sobre a vírgula. Este aqui está se transformando num testamento.
Então, acho que é só. Que 2010 venha com mais leitores para o nosso blog.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Matéria de site...
Eu tinha dito que o blog era voltado para tanto para material publicitário como para matérias de revistas e sites, não é? Então, hoje, vou dar um descanso à agências de propaganda (por enquanto) e vou falar do site Globo.com. Também é meu preferido quando se trata de erros em material da internet.
Eu já cansei de mandar e-mails para eles corrigindo as matérias. E sempre recebo um e-mail de resposta, com o link da matéria corrigida, instantes depois. Ou seja, "tô" trabalhando de graça. Mas é pelo bem da redação. A matéria de hoje é do site Ego. Não vou nem discutir a importância desse site na minha vida, porque não vale a pena. Mas, infelizmente, tenho que ler de tudo, inclusive informações desnecessárias sobre a vida dos artistas. Cabe ressaltar que o Ego é o canal da Globo.com que apresenta mais erros.
Hoje, de relance, peguei uma matéria sobre a Susana Vieira, e de cara vi dois erros. Mas nessa matéria não se tratava propriamente de erro gramatical, e sim falta de atenção. Porque eles querem dar a notícia em primeira mão, então, redigem com certa rapidez e postam a matéria sem revisão. É, acabam confirmando que a pressa é sempre inimiga da perfeição. É aquela coisa que o grupo Globo gosta de falar no comercial: "on line, on time, full time"... "and no time" para revisão.
Eu marquei de vermelho os "deslizes" na matéria. Pode ser que eles tenham corrigido. Desta vez eu não mandei e-mail, porque queria publicar aqui as falhas. Depois eu mando. Ou não...
Bora lá. No subtítulo "Atriz dança animada e não se dá conta de que transparência revela mais do que ele gostaria", ao fazer a referência à palavra "atriz" (olha a anáfora aí, gente! Chora, cavaco!), em vez de colocar "ela", colocou "ele":. Deveria ser "... transparência revela mais do que ela gostaria".
No texto abaixo, esqueceu o "e" de "Cinquentinha". E trocou o "a" por "e" na palavra "revelado". Aí, acabou escrevendo: "Cinquntinha" e "reveledo".
Olha, erro de digitação acontece. Eu já cansei de corrigir e recorrigir as minhas matérias deste blog, por causa disso. Até tive a ajuda do meu amigo Renan, que consegue pegar essas falhas com uma facilidade gigantesca (podia ser revisor, né? Não, ele merece coisa melhor). Só que eu escrevo coisa pra caramba. Meus posts são enoooooooormes. Agora, uma matéria com 4 linhas e 3 erros de digitação? É muita falta de cuidado, mesmo. Querem dar a notícia antes de todo mundo, e acabam fazendo isso. Olha o R7.com, aí, meu povo e minha pova. O site da concorrente tem até um link chamado "Comunicar erro" (de gramática, inclusive). Não precisa nem dizer que eu A-MEI...
Então, é isso. Esta postagem foi fraca, mas foi democrática. Daqui a pouco eu volto com as agências, minhas contratantes potenciais.
Eu já cansei de mandar e-mails para eles corrigindo as matérias. E sempre recebo um e-mail de resposta, com o link da matéria corrigida, instantes depois. Ou seja, "tô" trabalhando de graça. Mas é pelo bem da redação. A matéria de hoje é do site Ego. Não vou nem discutir a importância desse site na minha vida, porque não vale a pena. Mas, infelizmente, tenho que ler de tudo, inclusive informações desnecessárias sobre a vida dos artistas. Cabe ressaltar que o Ego é o canal da Globo.com que apresenta mais erros.
Hoje, de relance, peguei uma matéria sobre a Susana Vieira, e de cara vi dois erros. Mas nessa matéria não se tratava propriamente de erro gramatical, e sim falta de atenção. Porque eles querem dar a notícia em primeira mão, então, redigem com certa rapidez e postam a matéria sem revisão. É, acabam confirmando que a pressa é sempre inimiga da perfeição. É aquela coisa que o grupo Globo gosta de falar no comercial: "on line, on time, full time"... "and no time" para revisão.
Eu marquei de vermelho os "deslizes" na matéria. Pode ser que eles tenham corrigido. Desta vez eu não mandei e-mail, porque queria publicar aqui as falhas. Depois eu mando. Ou não...
Bora lá. No subtítulo "Atriz dança animada e não se dá conta de que transparência revela mais do que ele gostaria", ao fazer a referência à palavra "atriz" (olha a anáfora aí, gente! Chora, cavaco!), em vez de colocar "ela", colocou "ele":. Deveria ser "... transparência revela mais do que ela gostaria".
No texto abaixo, esqueceu o "e" de "Cinquentinha". E trocou o "a" por "e" na palavra "revelado". Aí, acabou escrevendo: "Cinquntinha" e "reveledo".
Olha, erro de digitação acontece. Eu já cansei de corrigir e recorrigir as minhas matérias deste blog, por causa disso. Até tive a ajuda do meu amigo Renan, que consegue pegar essas falhas com uma facilidade gigantesca (podia ser revisor, né? Não, ele merece coisa melhor). Só que eu escrevo coisa pra caramba. Meus posts são enoooooooormes. Agora, uma matéria com 4 linhas e 3 erros de digitação? É muita falta de cuidado, mesmo. Querem dar a notícia antes de todo mundo, e acabam fazendo isso. Olha o R7.com, aí, meu povo e minha pova. O site da concorrente tem até um link chamado "Comunicar erro" (de gramática, inclusive). Não precisa nem dizer que eu A-MEI...
Então, é isso. Esta postagem foi fraca, mas foi democrática. Daqui a pouco eu volto com as agências, minhas contratantes potenciais.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Casa de ferreiro, espeto de pau - parte I
Nesta minha busca por uma vaguinha nas agências, venho visitando sites e mais sites – das menores às maiores. Sempre pergunto se eles estão precisando de revisor, falo da minha experiência, os clientes para os quais trabalhei e trabalho, blá, blá, blá... Mas diante da afirmativa deles de que estão bem servidos de revisor, minha vontade é dizer: "Ah! A agência 'tá' mesmo bem servida? Então, olha isso...". Dá vontade de pegar os trabalhos que eu revisei e mostrar que não é bem assim. Só que aí começo a pensar: "Tatiana, 'tu não é' (sic) a última bolacha do pacote, não. 'Tu erra' (sic), também". Além do que a boa educação me manda dizer, com aquela falsa alegria de telemarketing: "Olá!!! Muito obrigada pela resposta imediata. Aproveito para informar que estou sempre à disposição, inclusive para trabalhar como freelancer".
Mas meu recalque não se controla. Vou passeando pela internet e vejo que, realmente, em casa de ferreiro, o espeto é de pau. Há uma série de erros gramaticais (sem falar em outros tipos) nos sites de algumas agências. O que não deveria ocorrer, já que o site é um cartão de visita das empresas de publicidade (aliás, de qualquer tipo de negócio).
Então, comecei a série "Casa de ferreiro, espeto de pau". Vou tentar postar os erros das "mais-mais", senão vou ter que criar um blog especial só pra esta série. Vamos inaugurar com a Artplan. Peguei um trecho da página sobre a Agência (tive que "disfarçar"a carinha do artista). A seguir:
Segundo parágrafo: "A separação entre propaganda convencional, promoção, eventos e tantas outras ferramentas de comunicação não existe mais. As vezes, uma solução criativa está na propaganda sozinha. As vezes não. Por isso, não basta ser apenas uma agência tradicional, mas um parceiro estratégico". Faltou a crase de "Às vezes", nas duas marcações. É regra: quando é locução adverbial (feminina) de tempo – determinando frequência –, leva o acento grave, indicativo de crase. Já se "as vezes" significar "o papel", como em: "Faço as vezes (= o papel) de médico aqui em casa", então não teremos a ocorrência de crase. Assim como também não ocorrerá crase em: "Foram raras as vezes (foram raros os momentos) em que eu não procurei erro em um texto". Porque aqui "vezes" é substantivo e não está se juntando a nenhum outro elemento para compor uma locução. É simples. Macete (odeio macete, mas às vezes funciona. E aqui, serve só para efeito comparativo e não de sentido): substituir por outro advérbio de tempo (masculino): "Às vezes (aos sábados), eu saio para fazer compras no shopping".
E continua. Existe uma barra de rolagem. Por isso, na imagem não aparece todo o texto, mas vou reproduzir o pedaço restante.
2. Não sei quando publicaram o texto. Mas como a própria agência se intitula "uma das 15 maiores agências do país", precisa atualizar o site, sempre que possível. Sabemos que a antiga regra ortográfica ainda não foi extinta. Mas a maioria dos meios de comunicação já adotou o novo acordo. Questão de afinação com a atualidade.
No penúltimo parágrafo, temos: "Queremos, sim, fazer muitos filmes, anúncios, jingles e outdoors para você. Mas ainda é pouco. É preciso surpreender o consumidor com novos caminhos e formatos de idéias, ousar, reinventar modelos já desgastados". Pois é... texto bacaninha. Mas "ideia" perdeu o acento agudo. Vale lembrar aqui a nova regra: não se usa mais o acento dos ditongos abertos "éi" e "ói" das paroxítonas. Paróxitonas são as palavras cujo acento tônico recai na penúltima sílaba. Mas atenção: as oxítonas em "éi" e "ói" continuam com acento agudo. Assim, "heróico" passa a se escrever "heroico". No entanto, "herói" continua acentuado.
3. E pra fechar este post, lá no link para o filme, com a foto do artista, temos um erro de regência. O verbo "assistir" admite regências diferentes, podendo ser transitivo direto, transitivo indireto ou intransitivo. Mas quando se muda a regência, o significado muda junto.
Vamos lá. Assistir, no sentido de "ajudar", não requer preposição: "Assistia os doentes sempre que podia". No sentido de "morar", é intransitivo. Admite um adjunto adverbial: "Assisto no Rio de Janeiro". Ainda temos o sentido "caber, competir, pertencer", que solicita a preposição "a": "É um direito que assiste a todos". O mesmo vale para "assistir" no sentido de "ver, presenciar": "Clique aqui e assista ao filme" – a construção que deveria estar no site.
Espero que este blog não esteja sendo visto de forma negativa. Com todo o meu respeito, não estou reproduzindo estas informações com intenção de depreciar ninguém. Caso alguém se sinta ofendido, é só entrar em contato comigo, e eu tiro a imagem do blog. Caso alguém se sinta desamparado, me chama... estou aberta a propostas... hehehehe.
É isso. Atentos à próxima.
Mas meu recalque não se controla. Vou passeando pela internet e vejo que, realmente, em casa de ferreiro, o espeto é de pau. Há uma série de erros gramaticais (sem falar em outros tipos) nos sites de algumas agências. O que não deveria ocorrer, já que o site é um cartão de visita das empresas de publicidade (aliás, de qualquer tipo de negócio).
Então, comecei a série "Casa de ferreiro, espeto de pau". Vou tentar postar os erros das "mais-mais", senão vou ter que criar um blog especial só pra esta série. Vamos inaugurar com a Artplan. Peguei um trecho da página sobre a Agência (tive que "disfarçar"a carinha do artista). A seguir:
Segundo parágrafo: "A separação entre propaganda convencional, promoção, eventos e tantas outras ferramentas de comunicação não existe mais. As vezes, uma solução criativa está na propaganda sozinha. As vezes não. Por isso, não basta ser apenas uma agência tradicional, mas um parceiro estratégico". Faltou a crase de "Às vezes", nas duas marcações. É regra: quando é locução adverbial (feminina) de tempo – determinando frequência –, leva o acento grave, indicativo de crase. Já se "as vezes" significar "o papel", como em: "Faço as vezes (= o papel) de médico aqui em casa", então não teremos a ocorrência de crase. Assim como também não ocorrerá crase em: "Foram raras as vezes (foram raros os momentos) em que eu não procurei erro em um texto". Porque aqui "vezes" é substantivo e não está se juntando a nenhum outro elemento para compor uma locução. É simples. Macete (odeio macete, mas às vezes funciona. E aqui, serve só para efeito comparativo e não de sentido): substituir por outro advérbio de tempo (masculino): "Às vezes (aos sábados), eu saio para fazer compras no shopping".
E continua. Existe uma barra de rolagem. Por isso, na imagem não aparece todo o texto, mas vou reproduzir o pedaço restante.
2. Não sei quando publicaram o texto. Mas como a própria agência se intitula "uma das 15 maiores agências do país", precisa atualizar o site, sempre que possível. Sabemos que a antiga regra ortográfica ainda não foi extinta. Mas a maioria dos meios de comunicação já adotou o novo acordo. Questão de afinação com a atualidade.
No penúltimo parágrafo, temos: "Queremos, sim, fazer muitos filmes, anúncios, jingles e outdoors para você. Mas ainda é pouco. É preciso surpreender o consumidor com novos caminhos e formatos de idéias, ousar, reinventar modelos já desgastados". Pois é... texto bacaninha. Mas "ideia" perdeu o acento agudo. Vale lembrar aqui a nova regra: não se usa mais o acento dos ditongos abertos "éi" e "ói" das paroxítonas. Paróxitonas são as palavras cujo acento tônico recai na penúltima sílaba. Mas atenção: as oxítonas em "éi" e "ói" continuam com acento agudo. Assim, "heróico" passa a se escrever "heroico". No entanto, "herói" continua acentuado.
3. E pra fechar este post, lá no link para o filme, com a foto do artista, temos um erro de regência. O verbo "assistir" admite regências diferentes, podendo ser transitivo direto, transitivo indireto ou intransitivo. Mas quando se muda a regência, o significado muda junto.
Vamos lá. Assistir, no sentido de "ajudar", não requer preposição: "Assistia os doentes sempre que podia". No sentido de "morar", é intransitivo. Admite um adjunto adverbial: "Assisto no Rio de Janeiro". Ainda temos o sentido "caber, competir, pertencer", que solicita a preposição "a": "É um direito que assiste a todos". O mesmo vale para "assistir" no sentido de "ver, presenciar": "Clique aqui e assista ao filme" – a construção que deveria estar no site.
Espero que este blog não esteja sendo visto de forma negativa. Com todo o meu respeito, não estou reproduzindo estas informações com intenção de depreciar ninguém. Caso alguém se sinta ofendido, é só entrar em contato comigo, e eu tiro a imagem do blog. Caso alguém se sinta desamparado, me chama... estou aberta a propostas... hehehehe.
É isso. Atentos à próxima.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Isto ou isso?
Nos meus processos de revisão, sempre fiz muitas substituições de "isso" por "isto" e vice-versa. Como sempre havia alguém que não se conformava, a pergunta logo surgia: "Mas por que aqui você trocou?", ou então: "Não entendo quando usar um ou outro". A gente aprende de uma forma bem prática: perto ou longe.
A diferença entre isto e isso está na relação de proximidade do emissor. Se algo está perto de mim, e eu estou falando com outra pessoa, uso "isto": "Isto aqui é meu". Se o objeto está perto da pessoa com quem falo, eu uso "isso": "Isso aí também é meu".
Seguindo essa lógica, fica fácil. Mas, e quando se trata de um texto como: "Isso/Isto é o que acontece comigo: mania de revisar". Como saber se é "isso" ou "isto"? Aí, a gente tem que entrar numa história muito conhecida dos redatores: coesão e coerência. Sem muita enrolação, vamos direto para referência, que é uma categoria de procedimento da qual depende a coesão textual. De uma forma mais "pop", vamos combinar mais ou menos assim: é a função pela qual um termo se relaciona com outro dentro de um contexto.
Temos dois tipos de referência: endofórica e exofórica. A primeira se dá com elementos do próprio texto; a segunda é extratextual. No nosso caso, vamos falar da endofórica, que, por sua vez, pode ser anafórica ou catafórica. A anafórica se dá quando o item de referência retoma um signo já expresso anteriormente (como se quiséssemos "relembrar" o que dissemos). Exemplo: A Tatiana é meio maluca. Ela tem mania de revisar. "Ela", aqui, faz menção a "Tatiana", termo já apresentado na oração anterior. Já na catafórica, o item de referência vai antecipar uma informação ainda não expressa no texto (tipo um teaser, anunciando: "prestenção no que vem por aí"). Exemplo: Só quero isto: que não haja mais erros gramaticais em peças publicitárias. É aí que se ilustra a relação de proximidade de que falamos lá em cima. Só que aqui, não temos uma distância "física".
Bem, na peça deste post, temos logo de cara um exemplo de cada referência, curiosamente invertidos, se quisermos ser rígidos quanto à língua (o que é humanamente impossível, em se tratando de um elemento vivo).
Vamos à primeira oração: "Imagine se isso acontecesse com as suas axilas". O signo ainda não foi expresso no texto. Ou seja, temos uma referência catafórica. E qual seria o "signo" aqui? A pétala de rosa murcha. Logo, "isso" se refere a "suas axilas sem hidratação". Se temos uma catáfora, deveríamos usar: "isto" (via de regra, gente).
Já ao final, no bloco de texto ao lado do desodorante, temos a última frase: "O seu antitranspirante consegue fazer isto?". Uai, se estamos retomando tudo o que já foi dito (tudo que Dove faz: axilas maravilhosas, pele hidratada, macia e com 24 horas de proteção), temos uma anáfora. Mais precisamente uma substituição, na qual o componente é retomado por uma pro-forma verbal (o verbo fazer, sempre acompanhado de uma forma pronominal. No caso, "isto"), com uma função pro-oração. Palma, palma, não priemos cânico. Traduzindo, "fazer isto" substitui toda a frase (ou ideia): "manter suas axilas 17% mais hidratadas, blá, blá, blá e tchau, odor", para que o texto não fique repetitivo. Mecanismo de coesão. Mas então, não deveria ser "isso", em vez de "isto"?
O primeiro caso é bem claro. Já no segundo, há divergências. Porque uns afirmam que a informação "acabou" de ser dada, então, a proximidade se comprova, permitindo usar "isto". Já outros dizem que, se estamos fazendo menção a um termo que já foi apresentado, a regra é usar "isso" (levando em conta passagens de um texto que precedem um determinado passo do discurso escrito). No nosso português, isso não é claro. A gente vê, na grande maioria, "isso" no lugar de "isto". Até porque é mais econômico falar (em fonética, a lei do menor esfoço).
Anáforas e catáforas à parte (chega de desgraça), tem uma coisa que eu não considero grave, mas tem que acertar. Na segunda imagem da pétala (da axila que não usa Dove), após as reticências, eles bem que poderiam ter colocado um espaço: "... do que os outros antitranspirantes". Concordam?
Agora chega, né?
Depois dessa, só uma cervejinha – a que desce "redondo". Mas sem falar de derivação imprópria do "redondo". Eu prefiro um franguinho à (moda) passarinho pra acompanhar. Gramática causa indigestão.
A diferença entre isto e isso está na relação de proximidade do emissor. Se algo está perto de mim, e eu estou falando com outra pessoa, uso "isto": "Isto aqui é meu". Se o objeto está perto da pessoa com quem falo, eu uso "isso": "Isso aí também é meu".
Seguindo essa lógica, fica fácil. Mas, e quando se trata de um texto como: "Isso/Isto é o que acontece comigo: mania de revisar". Como saber se é "isso" ou "isto"? Aí, a gente tem que entrar numa história muito conhecida dos redatores: coesão e coerência. Sem muita enrolação, vamos direto para referência, que é uma categoria de procedimento da qual depende a coesão textual. De uma forma mais "pop", vamos combinar mais ou menos assim: é a função pela qual um termo se relaciona com outro dentro de um contexto.
Temos dois tipos de referência: endofórica e exofórica. A primeira se dá com elementos do próprio texto; a segunda é extratextual. No nosso caso, vamos falar da endofórica, que, por sua vez, pode ser anafórica ou catafórica. A anafórica se dá quando o item de referência retoma um signo já expresso anteriormente (como se quiséssemos "relembrar" o que dissemos). Exemplo: A Tatiana é meio maluca. Ela tem mania de revisar. "Ela", aqui, faz menção a "Tatiana", termo já apresentado na oração anterior. Já na catafórica, o item de referência vai antecipar uma informação ainda não expressa no texto (tipo um teaser, anunciando: "prestenção no que vem por aí"). Exemplo: Só quero isto: que não haja mais erros gramaticais em peças publicitárias. É aí que se ilustra a relação de proximidade de que falamos lá em cima. Só que aqui, não temos uma distância "física".
Bem, na peça deste post, temos logo de cara um exemplo de cada referência, curiosamente invertidos, se quisermos ser rígidos quanto à língua (o que é humanamente impossível, em se tratando de um elemento vivo).
Vamos à primeira oração: "Imagine se isso acontecesse com as suas axilas". O signo ainda não foi expresso no texto. Ou seja, temos uma referência catafórica. E qual seria o "signo" aqui? A pétala de rosa murcha. Logo, "isso" se refere a "suas axilas sem hidratação". Se temos uma catáfora, deveríamos usar: "isto" (via de regra, gente).
Já ao final, no bloco de texto ao lado do desodorante, temos a última frase: "O seu antitranspirante consegue fazer isto?". Uai, se estamos retomando tudo o que já foi dito (tudo que Dove faz: axilas maravilhosas, pele hidratada, macia e com 24 horas de proteção), temos uma anáfora. Mais precisamente uma substituição, na qual o componente é retomado por uma pro-forma verbal (o verbo fazer, sempre acompanhado de uma forma pronominal. No caso, "isto"), com uma função pro-oração. Palma, palma, não priemos cânico. Traduzindo, "fazer isto" substitui toda a frase (ou ideia): "manter suas axilas 17% mais hidratadas, blá, blá, blá e tchau, odor", para que o texto não fique repetitivo. Mecanismo de coesão. Mas então, não deveria ser "isso", em vez de "isto"?
O primeiro caso é bem claro. Já no segundo, há divergências. Porque uns afirmam que a informação "acabou" de ser dada, então, a proximidade se comprova, permitindo usar "isto". Já outros dizem que, se estamos fazendo menção a um termo que já foi apresentado, a regra é usar "isso" (levando em conta passagens de um texto que precedem um determinado passo do discurso escrito). No nosso português, isso não é claro. A gente vê, na grande maioria, "isso" no lugar de "isto". Até porque é mais econômico falar (em fonética, a lei do menor esfoço).
Anáforas e catáforas à parte (chega de desgraça), tem uma coisa que eu não considero grave, mas tem que acertar. Na segunda imagem da pétala (da axila que não usa Dove), após as reticências, eles bem que poderiam ter colocado um espaço: "... do que os outros antitranspirantes". Concordam?
Agora chega, né?
Depois dessa, só uma cervejinha – a que desce "redondo". Mas sem falar de derivação imprópria do "redondo". Eu prefiro um franguinho à (moda) passarinho pra acompanhar. Gramática causa indigestão.
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